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segunda-feira, 25 de junho de 2018

O Diário de Anne Frank - Leitura e Interpretação

Descrição do livro


A jovem Anne Frank escreveu em seu diário toda a tensão que a família Frank sofreu durante a Segunda Guerra Mundial. Ao fim de longos dias de silêncio e medo aterrorizante, eles foram descobertos pelos nazistas e deportados para campos de concentração. Anne inicialmente foi para Auschwitz, e mais tarde para Bergen-Belsen. Seu diário destaca sentimentos, aflições e pequenas alegrias de uma vida incomum, problemas da transformação da menina em mulher, o despertar do amor, a fé inabalável na religião e, principalmente, revela a rara nobreza de um espírito amadurecido no sofrimento. Um retrato da menina por trás do mito.




Interdisciplinaridade:  Pesquise e leia sobre: Nazismo e 

Holocausto. 





ATIVIDADE:

Resumir com as suas palavras da página 5 à 55. Procurar no dicionário o significado das palavras desconhecidas. 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

O Pequeno Príncipe

O Pequeno Príncipe




Link para acessar.
Um piloto cai com seu avião no deserto e ali encontra uma criança loura e frágil. Ela diz ter vindo de um pequeno planeta distante. E ali, na convivência com o piloto perdido, os dois repensam os seus valores e encontram o sentido da vida. Com essa história mágica, sensível, comovente, às vezes triste, e só aparentemente infantil, o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry criou há 70 anos um dos maiores clássicos da literatura universal. Não há adulto que não se comova ao se lembrar de quando o leu quando criança. Trata-se da maior obra existencialista do século XX, segundo Martin Heidegger.

Fontes:  Google Imagens e  Livros e Fuxicos 

Leitura: O Curioso caso de Benjamin Button em quadrinhos 1º e 9º Ano









Resumo:


Totalmente diferente daquilo que se está acostumado a ler, este livro em forma de quadrinhos do consagrado escritor F. Scott Fitzgerald traz a divertida história de Benjamin Button, passada nos anos 1920, que tem início quando a senhora Button se dirige à maternidade – fato atípico para a época – para dar à luz o pequeno Ben. Todavia, aquilo que deveria ser motivo de orgulho e felicidade para a família transforma-se num verdadeiro pesadelo, uma vez que, ao contrário do que acontece em qualquer família normal, o pequeno Benjamin vem ao mundo não como um pequeno e frágil bebê, mas como um senhor de 70 anos! Deste dia em diante, a vida da família Button nunca mais seria a mesma, a começar pela vida do próprio Benjamin, que passa a sofrer as conseqüências deste inexplicável fenômeno. Narrado de forma leve, divertida, mas sem perder o toque nostálgico e comovente, O Curioso Caso de Benjamin Button vem revolucionar o universo das histórias em quadrinhos e trazer o que há de melhor em termos de literatura

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Dom Quixote

Dom Quixote: o melhor livro do mundo
Sancho Pança e Dom Quixote
Em princípios de maio de 2002, uma impressionante comissão de críticos literários de várias partes do mundo escolheu o livro Dom Quixote de La Mancha, escrito por Miguel de Cervantes y Saavedra (1547-1616), a partir de 1602, como a melhor obra de ficção de todos os tempos. Ao tempo em que narrava os feitos do Cavaleiro da Triste Figura em ritmo dos romances da cavalaria, Cervantes enervado com o sucesso daquele tipo de gênero literário junto ao grande público, realizou uma das maiores sátiras aos preceitos que regiam as histórias fantasiosas daqueles heróis de fancaria.
Agonia do cavaleiro da triste figura

O Cavaleiro da Triste Figura e Rocinante
"Todas as coisas humanas têm dois aspectos... para dizer a verdade todo este mundo não é senão uma sombra e uma aparência; mas esta grande e interminável comédia não pode representar-se de um outro modo. Tudo na vida é tão obscuro, tão diverso, tão oposto, que não podemos nos assegurar de nenhuma verdade."

Erasmo – Elogio da Loucura, 1509



No final de uma caçada às lebres, ele sentiu-se exausto. Pediu que o levassem ao leito. Dom Quixote percebeu a presença da morte. Logo os amigos chamaram um médico que, pegando-lhe o pulso, recomendou com a rude franqueza dos castelhanos que tratasse de salvar a alma, porque o corpo era de pouca valia. Então algo poderoso ocorreu. Aos brados o moribundo disse ter recuperado o juízo, livrara-se das desgraçadas leituras que fizera sobre os feitos dos cavaleiros. Disse abominar Amadis de Gaula, o espadachim de fantasia que tanto o inspirara até não muito. Esperou então, sereno, a morte para livrar-se daquelas assombrações da literatura que tanto infernizaram a sua vida.
Em tempos bem anteriores, ainda que magro de doer, dispunha de saúde suficiente para lançar-se pelo mundo afora. Até os cinqüenta anos vivera com criada, sobrinha e um rapaz arrieiro, numa fazendola na província da Mancha, uma espécie de brejo-seco do Reino de Castela, na Espanha. Desocupado, empobrecido, passara os dias lendo os feitos dos heróis da cavalaria. Até que um dia, conta Cervantes, de tanta leitura, seus miolos ressecaram. Imitando então aquela brava gente que povoava os seus sonhos, cismou em querer consertar as coisa tortas e desfazer os agravos do mundo. Mandou pôr uma sela em Rocinante, seu maltratado pangaré, calçou-se com as velhas armas dos seus antepassados, um escudo, e saiu a trote atrás de façanhas que lhe dessem renome. E como ele próprio esperava:

—Dichosa edad y siglo dichoso aquel adonde saldrán a luz las famosas hazañas mías, dignas de entallarse en bronces, esculpirse en mármoles y pintarse en tablas, para memoria en lo futuro.
(Feliz idade e feliz século aquele onde sairão à luz as minhas famosas façanhas, dignas de entalhar-se em bronzes, esculpidas em mármores e pintadas em telas para a memória do futuro)
(D.Quixote: II Capítulo)

Metido em aventuras mil

Campo de Criptana com seus moinhos, a quem Quixote enfrentou com sua lança
Aventuras e desassossegos de toda a ordem é o que não lhe faltaram pelas andanças pelo ermos de Castela. Além de fantasiar uma dama só sua, uma pobre camponesa que ele chamou de Dulcinéia del Tomboso, teve a felicidade de encontrar um homem da sua aldeia, o gorducho Sancho Pança, um lavrador, logo promovido a escudeiro, e que, entre outras coisas, tentou inutilmente inculcar em Dom Quixote algum princípio de realidade que fosse. Sim, porque o nosso cavaleiro vivia oscilando em perpetrar as loucuras desaforadas de Roldão ou mergulhar nas melancolias de Amadis, seus modelos. De longe ou de perto, o contraste espantoso entre o Cavaleiro da Triste Figura, como Dom Quixote mesmo se chamou, magro e alto, e o seu valet, o pequenino e roliço Sancho, montando em seu burrico, incendiou a imaginação de todos.
Maldizia o tempo todo a época que lhe coubera viver. A pólvora e o chumbo, discursou ele, liquidaram com os cavaleiros. Um disparo de longe, arte de um covarde, destroçava a vida de um bravo. Surras “ da fementida canalha”, também não lhe faltaram. Certa vez, em pleno campo, encontrando uma fila de bandidos atados, conduzidos por alguns policiais, resolveu espantar a lei. Engalfinhou-se com os guardas que fugiram espavoridos dos espadaços daquele doido. Soltos, os foras-da-lei, além de surripiarem-lhe os pertences, aplicaram-lhe uma sova de dar dó. Comentário de Dom Quixote: “aos cavaleiros andantes não pertence averiguar se os afligidos, acorrentados e opressos...vão pelas estradas por suas culpas, ou por serem desgraçados... só lhe cabia ajudá-los como necessitados”. Nem na dor das imerecidas porretadas ele se emendava!
Estrutura e prosa da obra

As confusões de Don Quixote (gravura de William Hogarth)
Dom Quixote de La Mancha, a maravilha literária de Cervantes, narrado na mais fina prosa castelhana, é composta de 126 capítulos de sabedoria, amizade, enternecimento, encantamentos, loucuras e divertimento, divididos em duas partes: a primeira surgida em 1605 e a outra em 1615. Monumento que Cervantes começou a erguer com pena e tinta, "no silêncio do esquecimento", encarcerado em Sevilha, em 1602, por mesquinharias. Obra que mais de 100 críticos literários, vindos de todas as partes, recentemente reunidos, indicaram como o melhor livro do mundo.
Numa das suas digressões, Cevantes deu para comparar a vida de soldado, que ele foi, com a de escritor, que ele terminou sendo, concluindo que aquele ofício só lhe dera dor de cabeça, vigílias, vazios de fome e padecimentos mil. Todavia, ao contrário de Shakespeare, seu contemporâneo, era consciente de que criara uma obra-prima, algo verdadeiramente extraordinário. Enquanto isso, numa desconhecida aldeia da Mancha, o corpo do velho fidalgo maluco recebia as exéquias. Não se enganem, não o enterraram não. Basta a qualquer leitor abrir a primeira página do Dom Quixote para ver que, erguendo a espada, o soberbo doido está ali vivíssimo, pronto para sair a assombrar o gigante Briareu e pôr a correr as injustiças. 


FONTE

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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Minha História: 'Quis pagar o que meu filho roubou'

DEPOIMENTO A
JULIANA COISSI
DE SÃO PAULO



No último dia 8, um rapaz de 18 anos foi preso em Jales (585 km a noroeste de São Paulo) sob suspeita de ter assaltado um posto de combustíveis e uma farmácia, levando R$ 1.500. Ao saber do caso, já na delegacia, o pai do jovem, o ajudante de pedreiro Dorivaldo Porfírio de Lima, 44, decidiu procurar as duas supostas vítimas para ressarcir o prejuízo. Sem recursos, assinou promissória para parcelar e pagar a dívida.
*
Eu nunca havia pisado em uma delegacia antes, graças a Deus. Só passava na frente.
Meu filho caçula Bruno estava jogando bola lá perto de casa quando um policial veio e o prendeu. Eu estava na casa da minha irmã. Não estava trabalhando porque está difícil arrumar serviço como ajudante de pedreiro --tem dia que tem, mas passa muitos dias sem ter.
Minha mulher ligou: "Estão prendendo o Bruno, nosso filho". Pensei: "Vou direto na delegacia saber o que é isso". Porque meu filho é trabalhador, pedreiro como eu. Ajuda a pagar as contas. E nunca tinha visto nada estranho em casa, como dinheiro, arma, droga.
Eu e minha mulher sabíamos que ele usava maconha, e desconfiávamos que tinha alguma outra droga, porque ele chegava às vezes meio irritado. Ele contou para a gente que usava, pediu para ser internado. Estávamos arrumando uma comunidade [terapêutica] aqui com a Igreja Católica, mas aí ele foi preso.
No caminho da delegacia, pensei que talvez poderia não ser nada. Ele estava trabalhando certinho, mas sempre tem as más companhias.
Quando cheguei, me mostraram as imagens dele [captadas pelas câmeras de segurança do posto e da farmácia]. Fiquei meio em dúvida, porque nunca tinha visto aquelas roupas. Mas ficaram falando lá que foi ele, foi ele, então a gente fica quieto. E não o vi ainda desde que foi preso [em 8 de outubro].
Falaram o valor roubado por ele e um colega: R$ 600 da farmácia e R$ 900 do posto. Era bastante.
Veio na hora a vontade de devolver o dinheiro. Quando o filho não presta, os pais abandonam, nem vão atrás. Mas corri atrás para mostrar caráter, o que é certo. E porque ele é trabalhador, não é vagabundo. A avó do outro rapaz [suspeito de participar dos roubos] me disse que os pais nem vão atrás do menino, que ele já não tem jeito.
No meu caso não. Não é porque é meu filho, mas eu acho que ele tem conserto.
No dia seguinte fui ao posto e perguntei quem era o dono. O próprio respondeu, é até conhecido meu. Contei o acontecido com o Bruno. "Era teu filho? Não acredito", ele disse. E eu: "Se meu filho fez isso, quero parcelar e pagar". Ele não acreditou, ficou surpreso com a honestidade. Eu disse: "Acredite porque, se for meu filho, vou pagar porque ele é trabalhador".

Reproduçao/TV Globo
Dorivaldo Porfírio de Lima, 44, quer devolver dinheiro que o filho teria roubado de dois comércios
O ajudante de pedreiro Dorivaldo Porfírio de Lima, 44, quer devolver dinheiro que o filho teria roubado de dois comércios
Pedi para parcelar os R$ 900 em promissórias de R$ 90. O ganho da gente é pouco, não chega ao fim do mês. A diária [de auxiliar de pedreiro] é R$ 70, mas às vezes você consegue trabalhar dois dias na semana, depois para.
Fiz a mesma coisa na farmácia. O dono falou que como foram dois envolvidos no roubo, ele dividiria os R$ 600 em R$ 300. Mas soube depois que um comerciante viu a história na TV e pagou a conta.
Se não der para pagar os R$ 90 do posto no fim do mês, eu pago R$ 40, R$ 50, o que der. Se hoje em dia a gente andando no caminho certo já corre o risco de alguma coisa dar errado, imagina se andar no caminho errado? Dá mais errada ainda a vida, e as pessoas não confiam na gente.
Mostrei as promissórias ao delegado. Ele disse que nunca viu ninguém fazer isso. Ele sabe que todo mundo é trabalhador na minha família.
Queria agora é tentar lutar para colocá-lo numa comunidade [terapêutica] para se tratar. Já ofereceram vaga de graça. Como meu filho já tinha pedido ajuda para ser internado, ele merece, não é?

Fonte: Folha

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Zumbi, esse desconhecido

Ninguém sabe detalhes da vida do último e mais importante líder do Quilombo dos Palmares

Reportagem Reinaldo Lopes |

O nome dele era Zumbi, mas talvez o certo fosse Zambi. Ele pode ter nascido na África e ter sido trazido para cá à força, mas há quem diga que ele era brasileiro e livre. Nem temos certeza de que ele era filho de africanos – se ele nasceu no Brasil, é possível que seu pai fosse africano e sua mãe, índia. Sua morte também é envolta em mistério. Só não existem dúvidas a respeito de uma coisa: até seus adversários o definiam como um homem forte, orgulhoso, inconformado com sua condição social, que resolveu enfrentar seus algozes e libertar seu povo. E ele foi longe nesse objetivo. O Quilombo dos Palmares deu trabalho ao governo de Portugal.

O quilombo foi construído na serra da Barriga, uma área que hoje faz parte do estado de Alagoas. O terreno era uma espécie de fortaleza natural: tinha barrancos que dificultavam o acesso e palmeiras fazendo uma espécie de muralha. Palmares surgiu por volta de 1580, quando escravos que fugiam de Pernambuco e da Bahia construíram uma pequena vila fortificada, onde eles podiam ser livres e estavam protegidos dos soldados que capturavam e matavam os fugitivos dos engenhos de cana-de-açúcar do litoral. No auge da ocupação, em 1670, o quilombo teria chegado a 30 mil moradores – talvez esse número seja um exagero. Mesmo depois da morte de Ganga-Zumba e de Zumbi, seus dois maiores líderes, os escravos ainda resistiram até o ano de 1710.
Se os criadores do quilombo realmente vieram de um engenho, a grande maioria deveria ser homem, pois as fazendas abrigavam poucas mulheres. Talvez por isso, já nos primeiros anos de organização, o aglomerado de fugitivos virou uma pedra no sapato dos portugueses. Volta e meia, os habitantes de Palmares invadiam engenhos para libertar escravos, roubar comida e armas e, principalmente, raptar mulheres. Em 1602, o governador-geral do Brasil, Diogo Botelho, mandou uma expedição contra eles. Foi a primeira das mais de 40 missões de ataque. Era difícil vencer os escravos porque, quando as tropas chegavam, eles abandonavam a cidade e se escondiam no mato.
Quando os holandeses invadiram o Nordeste, os engenhos de açúcar perderam o controle sobre seus escravos e as fugas aumentaram. Palmares recebeu milhares de novos moradores e, em 1654, quando os holandeses foram expulsos, a vila tinha virado uma potência formada por vários aglomerados populacionais, que vendiam e compravam produtos das cidades vizinhas. Nessa fase, pode ser que até brancos tenham vivido dentro do quilombo. E com certeza havia índios morando lá dentro ou por perto. Escavações arqueológicas têm encontrado cerâmica indígena, provavelmente da mesma época de Zumbi.


Crescimento
Essa confederação de povoados escolheu como chefe um guerreiro conhecido como Ganga-Zumba, que morava em Macaco, a principal vila do refúgio. Não se sabe se “Ganga-Zumba” seria nome próprio ou um título dado ao líder. “A palavra ganga significava ‘poder’ ou ‘sacerdote’ em várias sociedades da África central”, diz o historiador Flávio Gomes, professor do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Para a maioria dos especialistas, foi nessa época de relativa calmaria que Zumbi teria crescido em Palmares. Um dos motivos para sustentar que o líder nasceu ali mesmo e não chegou depois, fugindo da escravidão, é o fato de que ele seria sobrinho de Ganga-Zumba. Mas o parentesco também não é garantido, já que a palavra “sobrinho” podia ter um sentido simbólico.
Não há relatos confiáveis sobre a juventude de Zumbi. É em um relatório do comando militar da capitania de Pernambuco, escrito por volta de 1670, que seu nome aparece citado pela primeira vez. Ele seria o homem de confiança do chefe Ganga-Zumba, uma espécie de general dos exércitos de Palmares. Outros documentos da mesma época destacam a capacidade militar de Zumbi. Um deles diz que, ao enfrentar uma expedição liderada por Manuel Lopes Galvão, Zumbi levou um tiro na perna que o teria deixado manco, mas ele continuou lutando mesmo assim.
Missões de ataque
Por volta de 1670, matar Ganga-Zumba e Zumbi virou questão de honra para o governo português. Mas, em 1678, a raiva já tinha passado um pouco. Cansado das derrotas seguidas, o governador-geral propôs um acordo de paz. Ganga-Zumba aceitou, e deixou Palmares com algumas centenas de seguidores. Ele morreu pouco tempo depois, e há quem diga que foi Zumbi que mandou envenená-lo por ter abandonado seu povo. O novo líder do quilombo não quis saber de trégua. Em 1690, o governo enviou o bandeirante Domingos Jorge Velho para atacar a região. Apanhou na primeira tentativa, mas voltou em 1692, com 9 mil homens e alguns canhões. Depois de semanas de luta, os bandeirantes invadiram a capital de Palmares. Zumbi fugiu. Ele só viveria mais um ano, até ser traído e morto por um companheiro, Antônio Soares. Os bandeirantes deram ao corpo de Zumbi o destino de várias outras pessoas que na época eram consideradas traidoras da pátria. Seus olhos foram arrancados, sua mão direita foi cortada e seu pênis foi decepado e enfiado em sua própria boca. Já a cabeça foi salgada e levada para Recife, onde apodreceu em praça pública.

A lenda do suicídio coletivo

Logo depois de se aproximar de Zumbi e cumprimentá-lo, o traidor Antônio Soares o matou com uma punhalada. É assim que os historiadores acreditam que o líder dos Palmares foi assassinado. Mas, antigamente, existia uma outra explicação, bem mais dramática. “Até o início dos anos 60, os historiadores diziam que Zumbi e seus seguidores tinham cometido suicídio ao se atirar dos penhascos da serra da Barriga”, diz o historiador Flávio Gomes. Não é verdade, mas essa lenda pode ter surgido por causa de uma das últimas batalhas da guerra de resistência. O bandeirante Jorge Velho construiu uma muralha de apoio, em diagonal, para levar seus canhões para perto do quilombo. A única forma de atacá-la era subir por um barranco. Alguns quilombolas tentaram usar essa estratégia para fazer um ataque-surpresa contra o bandeirante. Quem era baleado rolava pelo barranco, o que pode ter dado a falsa impressão de suicídio.


Saiba mais : Fonte

• A Hidra e os Pântanos, Flávio Gomes, Unesp, 2005. Compara os quilombos do Brasil com outros grupos de rebeldes em outros países do continente
• Palmares, Ontem e Hoje, Pedro Paulo Funari e Aline V. de Carvalho, Jorge Zahar, 2005. Ótima introdução à história do quilombo. O professor Funari trabalhou nas primeiras escavações feitas no local


A sina de Alfo
Alfo era um ratinho muito prestativo que trabalhava para o Rei Leão. Era alegre, brincalhão , amigo com o qual o rei podia contar vinte e quatro horas por dia.
       Mas com o passar do tempo, Alfo foi ficando  triste, pois vivia praticamente preso às suas obrigações de ajudante-de-ordens, conselheiro, ombudsman, mão direita, mensageiro,  e não tinha tempo para mais nada. Por causa de sua índole alegre e expansiva, o ratinho  gostava de viver livremente. Por isso, ultimamente, o seu emprego o desgostava muito; sentia-se escravo do dever.
      O ratinho Alfo tornava-se cada vez mais sério, mais taciturno; nem as mais engraçadas piadas do papagaio o faziam rir. Os bichos viviam fazendo-lhe graça para tentar descontraí-lo e sugeriam com preocupação:
      - Alfo, ria ! Rir faz bem !
      - Alfo, ria ! Você está envelhecendo .
      Mas quê ! Alfo foi ficando cada vez mais calado, até que um dia resolveu falar com o Rei.
      - Senhor , não agüento mais o peso das obrigações. Sou um ratinho sagitariano, quero viajar, ser livre e o excesso de dever está me matando. Nem rir mais eu rio ! Todos vivem me pedindo : - Alfo, ria ! Você está muito triste ! - porque percebem que estou ficando cada vez mais descontente !
      - E o que você sugere, meu fiel amigo ?
      - Que o senhor me libere de serví-lo . Continuarei sendo seu melhor amigo, se quiser, seu conselheiro, mas quero ser livre. Quero dormir de madrugada, acordar com o sol no meu focinho, quero visitar novas florestas , mas trabalhando assim como trabalho, não posso fazer nada disso !
      - É, meu caro ratinho, você tem razão.
      - Sabe, majestade, se eu continuar trabalhando tanto, sem ter tempo para mim , vou me tornar amargo . Por favor, liberte-me de minhas obrigações.
      -   Quem sou eu para ir contra a personalidade de alguém ? Prefiro-o como um amigo alegre a um fiel servidor triste. De hoje em diante, você está livre, Alfo.
      Alfo ria sem parar. Estava realmente feliz e poderia fazer tudo aquilo que quisesse.
      E foi a partir dessa história, a história do ratinho Alfo  que queria a libertação do pesado jugo do  trabalho, que nasceu a palavra alforria.”
 Autor desconhecido

domingo, 11 de novembro de 2012

Textos Narrativos Ficcionais

A NARRATIVA DE FICÇÃO
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Estudos Literários

"A narrativa está presente em todos os lugares, em todas as sociedades; a narrativa começa com a própria história da humanidade; não há, não há em parte alguma, povo algum sem narrativa; todas as classes, todos os grupos humanos têm suas narrativas, e frequentemente estas narrativas são apreciadas em comum por homens de cultura diferente, e mesmo oposta: a narrativa ridiculariza a boa e a má literatura: internacional, trans-histórica, transcultural, a narrativa está aí, como a vida." (Barthes, 1971, p. 19-20)

Narrar é expor, por meio da fala ou da escrita, um acontecimento ou uma sucessão de acontecimentos, mais ou menos encadeados, reais ou imaginários. Assim temos a narrativa poética, a narrativa objetiva (acontecimentos reais) e a narrativa de ficção (acontecimentos imaginários). No caso da narrativa de ficção, usamos o termo "narração", como designativo da prosa de ficção. Neste caso, a narração é uma invenção, uma criação humana e, como tal, exige arte, técnica, e imaginação. Enfim, a narração consiste no relato de acontecimentos ou fatos que envolvem: um narrador que a conte, personagens que vivencie os fatos narrados, um espaço em que se ambiente a história, uma trama (conflitos), ação e o transcorrer do tempo em que a ação se desenvolve.
A Mentira Artística
O filho chega tarde a casa e o pai corre severo para ele:
— O que houve?
O filho expõe (narra) um conjunto de fatos, de acontecimentos que lhe servirão de desculpas. O objetivo dessa narrativa é o convencimento do pai. De modo que o filho procura os acontecimentos que motivaram o atraso (narrativa objetiva), ou os inventa (narrativa ficcional). Daí, não é sem razão dizer-se que: "o primeiro filho mentiroso descobriu a arte da narrativa", que agrada mais e convence mais porque vai além dos fatos, além da realidade. "A mentira artística chama-se ficção".

A Narrativa de Ficção ou Narração
A narrativa de ficção é construída, elaborada de modo a emocionar, impressionar as pessoas como se fossem reais. Quando você lê um romance, novela ou conto, por exemplo, sabe que aquela história foi inventada por alguém e está sendo vivida de mentira por personagens fictícios. No entanto, você chora ou ri, torce pelo herói, prende a respiração no momento de suspense, fica satisfeito quando tudo acaba bem. A história foi narrada de modo a ser vivida por você. Suas emoções não deixam de existir só porque aquilo é ficção, é invenção. No "mundo da ficção" a realidade interna é mais ampla que a realidade externa, concreta, que conhecemos. Através da ficção podemos, por exemplo, nos transportar para um mundo futuro, no qual certas situações que hoje podem nos parecer absurdas, são perfeitamente aceitas como verdadeiras. 

Os contos de fadas, as fábulas, os desenhos animados, as narrativas fantásticas, em que tudo pode acontecer, também, nos remetem a outra realidade, bem mais ampla da que vivemos. Nestes casos, os textos narrativos, apresentam uma lógica interna que acabamos aceitando como verdade. É o que alguns teóricos chamam de “suspensão voluntária da descrença”, para exemplificar essa suspensão, cito dois exemplos:
Em a Metamorfose, o tcheco Franz Kafka inicia a narrativa com o personagem Gregor Samsa transformado em um inseto (metáfora da condição humana em um mundo adverso, desumano):
“Certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, Gregor Samsa viu-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas costas duras como couraça, e ao erguer um pouco sua cabeça viu o seu ventre marrom, abaulado divididos em saliências arqueadas (...).”
Já Machado de Assis, em Memórias Póstumas de Brás Cubas, dá voz a um defunto que narra logo no primeiro capítulo o seu óbito:
"Algum tempo hesitei se deveria começar estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor [...]."
Para o leitor prosseguir na leitura dessas narrativas é necessário que ele suspenda temporária e voluntariamente a sua descrença e aceite, como um fato da realidade, uma personagem transformada em um inseto horroroso e um defunto que resolve contar suas memórias.

Toda narrativa de ficção transmite uma determinada visão da vida. É por essa razão que as narrativas de ficção ou a ficção nos tocam tão de perto. ®Sérgio. 


Tópicos Relacionados: (clique no Link)
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Algumas informações foram extraídas e adaptadas ao texto de: Massaud Moisés, A Criação Literária.
Para copiar este texto: selecione-o e tecle Ctrl + C.
Agradeço a leitura e, antecipadamente, qualquer comentário.
Se você encontrar omissões e/ou erros (inclusive de português), relate-me.
Ricardo Sérgio
Enviado por Ricardo Sérgio em 10/04/2007
Reeditado em 09/03/2010
Código do texto: T444314    Fonte



A Carta, de Pero Vaz de Caminha

Dados da Aula

O que o aluno poderá aprender com esta aula: Conhecer e interpretar (por meio de fragmentos) a Carta a El Rei D. Manuel, de Pero Vaz de Caminha, quando do descobrimento do Brasil; Identificar alguns elementos literários e históricos presentes na carta; Analisar, criticamente, elementos ideológicos e linguísticos presente na Carta; Produzir um texto do gênero carta descritiva.
Os alunos deverão conhecer o gênero carta.
 Fonte




A Carta, de Pero Vaz de Caminha

sábado, 20 de outubro de 2012

Análise da Música: Dom Quixote


Dom Quixote
Engenheiros do Hawaii
Composição: Humberto Gessinger / Paulo Galvão
 
Muito prazer, meu nome é otário
Vindo de outros tempos mas sempre no horário
Peixe fora d'água, borboletas no aquário
Muito prazer, meu nome é otário
Na ponta dos cascos e fora do páreo
Puro sangue, puxando carroça
Um prazer cada vez mais raro
Aerodinâmica num tanque de guerra,
Vaidades que a terra um dia há de comer.
"Ás" de Espadas fora do baralho
Grandes negócios, pequeno empresário.
Muito prazer me chamam de otário
Por amor às causas perdidas.
Tudo bem, até pode ser
Que os dragões sejam moinhos de vento
Tudo bem, seja o que for
Seja por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas. 
 



         Questões:
  1. O eu-lírico da canção se intitula "otário". Que relação pode-se estabelecer entre esse adjetivo e ao Dom Quixote da obra?
  2. Dom Quixote era um sonhador. Relacione essa característica da personagem ao verso "Peixe fora d'água, borboletas no aquário".
  3. Escreva o verso da canção que apresenta uma cena da obra lida. Que sentido tem esse verso depois da frase "Tudo bem, até pode ser"?
  4. O eu-lírico da canção sente-se "deslocado" do mundo em que vive. Como sentia-se Dom Quixote?
  5. Você concorda que Dom Quixote também tinha amor "às causas perdidas"? 
  6. Analise sintaticamente e morfologicamente o texto musical.
Fonte


Leia o livro AQUI.






Por que ler Dom Quixote?
- Algum significado para Dom Quixote?
Num primeiro momento, falamos de Cer­vantes, criador de Dom Quixote e Sancho Pan­ça. . Se for possível, vamos tentar agora uma inter­pretação do "engenhoso Fidalgo, Dom Qui­xote de la Mancha" .
Observação preliminar: "Dom Quixote" pode ser lido singelamente como se lê uma estória. Talvez tenha sido assim que ele foi escrito: com a quase ingênua jubilação de quem vai contando uma aventura, sem mui­ta certeza do que irá acontecer depois, dei­xando-se levar pelo improviso. Cervantes teve real dificuldade de explicar por que tinha es­crito aquele livro, apesar de ele dizer isto num Prólogo cheio de intestinas malícias. Teria ele, de fato, escrito o "Dom Quixote" para com­bater a literatura cavalheiresca, como ficou dito no fim do livro pelo velho fidalgo mori­bundo, retornando à razão e a um simples Alonso Quijano, o Bom? Os melhores comen­tadores não crêem que isto deva ser levado a sério, visto que, naquela época, os romances de cavalaria já estavam completamente sem leitores... Talvez por isso, escreveu Lis Astra­na Martin (importantíssimo biógrafo de Cer­vantes) que "o Quixote é, sem duvida, um li­vro de entretenimento e sem simbolismos, mas livro que se tornou simbólico, livro de dor". (Citado em Vianna MOOG. Heróis da De­cadência, Rio, 1964, p. 103.) Por outro lado, já dizia Goethe a respeito do seu "Fausto": "Per­guntam-me que idéia eu procurei encarnar no meu Fausto. Como se eu soubesse... Como se eu mesmo o pudesse dizer... " (Conversas com Eckermann, dia 6/5/1827.) E ele pedia que não se quisesse sempre descobrir uma idéia su­blime, abstrata, simbólica, por detrás de toda história, só porque essa história se tornou um grande livro da literatura mundial. Essa idéia pode até existir, mas a gente não é sempre obrigado a ficar procurando por ela.
Cervantes pode não ter sido um gênio to­dos os dias de sua vida, o que, ao contrário, parece ter acontecido com Platão, Shakespea­re ou Goethe. Talvez tenha razão Unamuno quando afirma que Cervantes foi um "gênio temporário", nos momentos em que se dei­xava "tomar" pela alma de sua gente. "De­pois do Quixote e antes do Quixote, nada de genial" - pensa Don Miguel de Unamuno. E mesmo durante a criação do Quixote, sua ge­nialidade era intermitente. Quando narrava, quando deixava o espírito do povo falar, gê­nio. Se se punha a fazer crítica literária ou fi­losofia por conta própria - manifestava uma verdadeira "opilação intelectual". (Cf. UNA­MUNO. Ensayos - V, p. 223.) Mas houve Dom Quixote. Dom Quixote não é apenas a perso­nagem "Quixote". É, pelo menos, Sancho Pança também. Os dois expressam as duas faces da Espanha. Mais até: as duas faces do ho­mem. Todos nós, de uma forma ou de outra, somos um pouco Quixotes e Panças. Fernan­do Collor ou Irmã Dulce. Gorbatchev ou Ka­rol Wojtyla. Esses são quixotes e sanchos pú­blicos. Mas, na vida privada ou municipal, você vai encontrá-los a todo momento, no jo­vem que acaba de casar e acredita em moi­nhos de vento e dulcinéias, mas se sente ar­rastado ao terra-a-terra pela resistente reali­dade, ou na moça que entra para o convento e se entrega inteira ao Cristo, aos pobres, ao Amor, ..
Não interessa muito o que o autor tenha pensado de sua obra. O mais provável é que Cervantes, como em geral os grandes auto­res, não tenha percebido, com clareza, toda a importância de seu livro. O próprio Goethe observa que é preciso ensinar ao criador o sen­tido daquilo que ele criou... (Cf. Fitzmaurice, cit. em Vianna Moog, o.c., p. 102.) Uma obra, uma vez escrita, começa a ter vida própria, independente de seu autor. Sobretudo quan­do se trata de uma obra-prima como "Dom Quixote". O que Cervantes queria ou não que­ria ao escrevê-la, é apenas, se se puder conse­guir uma resposta, uma questão histórica, passada. O que vale "Dom Quixote", isto ele continuará valendo mesmo que não se lhe co­nhecesse o autor. 









sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Crônicas - Leitura

Do rock

Carlos Heitor Cony

Tocam a campainha e há um estrondo em meus ouvidos. A empregada estava de folga, o remédio era atender o mau-caráter que me batia à porta àquela hora da manhã. Vejo o camarada do bigodinho com o embrulho largo e enfeitado.
— É aqui que mora a senhorita Regina Celi?
Digo que não e fulmino o importuno com um olhar cheio de ódio e sono, mas antes de fechar a porta sinto alguma coisa de íntimo naquele “senhorita Regina Celi”, sim, há uma Regina Celi em minha casa, minha própria filha, mas apenas de 12 anos, uma guria bochechuda ainda, não merecia o título e a função de senhorita.
Chamo o homem que já estava no elevador. Eram CDs, a garota encomendara um mundão de CDs numa loja próxima, e pedira que mandassem as novidades, pois as novidades estavam ali, embrulhadinhas e com a nota fiscal bem às claras.
Gemo surdamente na hora de assinar o cheque e recebo o embrulho. A garota dormia impune, o mundo podia desabar, e ninguém a despertaria do sono 12 anos. Deixo o embrulho em cima do som e volto para a cama, forçar o sono e a tranquilidade interior, abalada pelo cheque tão matutino e fora de propósito. Quando ordeno os pensamentos e ambições no estreito espaço do meu pensamento e retomo um sono e um sonho sem cor nem gosto, começa o rock.
Anos atrás, seria começa o beguine. Mas o beguine passou de moda, e o swing, o mambo, o baião e outras pragas vindas de alheias e próprias pragas. Pois aí estava o rock, matinal, cor de sangue e metal inundando o dia e o quarto com sua voz rouca, seu compasso monótono e histérico.
Purgo honestamente meus pecados e lembro o pai, que me aturava a mania pelos sambas de Ary Barroso. O velho não dizia nada, mas me olhava fundo e talvez tivesse ganas de me esganar. Mas me aturava e aturava o meu Brasil brasileiro.
Hoje, aturo o rock. Vou ao banheiro, lavo o rosto, visto um short e vou para a sala disposto a causar boa impressão à senhorita Regina Celi, que de babydoll, esbaforida, se degringola ao som de U2.
O tapete já fora arrastado e amarfanhado a um canto. Meu castiçal de prata foi profanado com a cara de um tipo até simpático que naquela manhã ganhará alguma coisa à custa do meu labor e cheque.
A senhorita Regina Celi tem a cara afogueada, os pés e as pernas avançam e ficam no mesmo lugar, o corpo todo treme e sua, até que ela me estende o braço.
— Vem, papai!
O peso dos meus invernos e minhas banhas causa breve hesitação. Mas ali estamos, eu e a senhorita Regina Celi, uma menina que ainda pego no colo e aqueço com meu amor e o meu carinho, quando ela tem medo do mundo ou de não saber os afluentes da margem esquerda do rio Amazonas na hora do exame. Ela me chama e me perdoa.
Então, aumento o volume do som, espero o tal do U2 dar um grito histérico e medonho - e esqueço o cheque, a vida e a faina humana rebolando este cansado corpo-pasto de espantos - até que o fôlego e o U2 acabem na manhã e no som.

Crônicas para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009


 Cobrança


Moacyr Scliar

Ela abriu a janela e ali estava ele, diante da casa, caminhando de um lado para outro. Carregava um cartaz, cujos dizeres atraíam a atenção dos passantes: "Aqui mora uma devedora inadimplente".
― Você não pode fazer isso comigo ― protestou ela.
― Claro que posso ― replicou ele. ― Você comprou, não pagou. Você é uma devedora inadimplente. E eu sou cobrador. Por diversas vezes tentei lhe cobrar, você não pagou.
― Não paguei porque não tenho dinheiro. Esta crise...
― Já sei ― ironizou ele. ― Você vai me dizer que por causa daquele ataque lá em Nova York seus negócios ficaram prejudicados. Problema seu, ouviu? Problema seu. Meu problema é lhe cobrar. E é o que estou fazendo.
― Mas você podia fazer isso de uma forma mais discreta...
― Negativo. Já usei todas as formas discretas que podia. Falei com você, expliquei, avisei. Nada. Você fazia de conta que nada tinha a ver com o assunto. Minha paciência foi se esgotando, até que não me restou outro recurso: vou ficar aqui, carregando este cartaz, até você saldar sua dívida.
Neste momento começou a chuviscar.
― Você vai se molhar ― advertiu ela. ― Vai acabar ficando doente.
Ele riu, amargo:
― E daí? Se você está preocupada com minha saúde, pague o que deve.
― Posso lhe dar um guarda-chuva...
― Não quero. Tenho de carregar o cartaz, não um guarda-chuva.
Ela agora estava irritada:
― Acabe com isso, Aristides, e venha para dentro. Afinal, você é meu marido, você mora aqui.
― Sou seu marido ― retrucou ele ― e você é minha mulher, mas eu sou cobrador profissional e você é devedora. Eu avisei: não compre essa geladeira, eu não ganho o suficiente para pagar as prestações. Mas não, você não me ouviu. E agora o pessoal lá da empresa de cobrança quer o dinheiro. O que quer você que eu faça? Que perca meu emprego? De jeito nenhum. Vou ficar aqui até você cumprir sua obrigação.
Chovia mais forte, agora. Borrada, a inscrição tornara-se ilegível. A ele, isso pouco importava: continuava andando de um lado para outro, diante da casa, carregando o seu cartaz.

O imaginário cotidiano. São Paulo: Global, 2001

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Leitura : O Conde de Monte Cristo 9º e 1º Anos

Resumo


            O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, é a história de um homem, acusado injustamente de traição (por um homem ciumento, que deseja roubar a sua amada Mercedes). É atirado na prisão por muitos anos. Enquanto na cadeia, Edmond Dantes conheceu um velho Senhor que lhe garantiu conhecer a posição de um grande tesouro escondido numa caverna na Ilha de Monte Cristo. Quando o velho morre, Edmond esconde-se dentro do saco(de colocar corpos), é atirado ao mar e escapa-se. Ele consegue unir-se a uma tripulação (uma vez que ele é marinheiro). Arranja um barco, vai até a ilha de Monte Cristo e consegue achar o tesouro.Ele utiliza a enorme riqueza para transformar-se em uma nova personalidade e vingar-se dos seus inimigos. É uma história maravilhosa, onde mais uma vez não há final feliz. Se você assistiu o filme de Hollywood, da mesma história, não leve em conta o seu final, porque é completamente diferente do seu clássico original. Este livro é fantástico.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Livro: A Ilha Perdida

Link para baixar o Livro

Descobrir o mistério da ilha perdida. Era esse o ousado projeto dos irmãos Henrique e Eduardo. Porém, quando mal começava sua excursão, depois de atravessar o rio, os dois se viram tão perdidos quanto a própria ilha em que se encontravam.
Quem surpresas se escondiam por trás da densa mata que recobria toda a paisagem? Quem seria Simão, o solitário e enigmático habitante da ilha, que separou os dois meninos,levando Henrique para sua caverna?
E, afinal, Henrique era hóspede ou um prisioneiro?
Venha se perder nessa ilha fantástica de emoçãom e mágia.Pois garanto será melhor que o resumo.

3º Ano - Leitura: A Hora da Estrela de Clarice Lispector



Exercício Online 


Exercícios de Vestibular ( Com Gabarito)






Clarice Lispector reúne em "A Hora da Estrela" três abordagens fundamentais: filosófica, social e estética.

Pela perspectiva filosófica, enfoca os limites e alcances do conhecimento do mundo mediante a palavra e a consciência, através das quais o ser humano se diferencia dos outros seres; em relação ao social, investiga os impasses criados pela separação dos indivíduos em diferentes grupos, destacando o escritor e o nordestino. Quanto à estética, investiga o ato da criação e da originalidade.

A narrativa se estrutura a partir de um narrador-personagem que fala de si mesmo e de um narrador onisciente que conta a história de Macabéa.

Há trechos na obra de Clarice que parafraseiam ou lembram grandes autores da fase realista e modernista. Observe os fragmentos a seguir:



  • I - "E só minto na hora exata da mentira. Mas quando escrevo não minto." (Fernando Pessoa)







  • II - "Mas voltemos a hoje. Porque, como se sabe, hoje é hoje. Não estão me entendendo e eu ouço escuro que estão rindo de mim em risos rápidos e ríspidos de velhos."(Machado de Assis)
    "É coisa muito séria e muito alegre: sua vida vai mudar completamente!"(Machado de Assis)







  • III - "Por Deus! Eu me dou melhor com os bichos do que com gente." (Graciliano Ramos)







  • IV - "Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui." (Manuel Bandeira)

    "A Hora da Estrela" apresenta treze títulos que se desdobram na primeira página do livro:

    A Hora da Estrela
    A culpa é minha
    ou
    A Hora da Estrela
    ou
    Ela que se arranje
    ou
    O direito ao grito
    Quanto ao futuro
    ou
    Lamento de um blue
    ou
    Ele não sabe gritar
    ou
    Uma sensação de perda
    ou
    Assovio no vento escuro
    ou
    Não posso fazer nada
    ou
    Registro dos fatos antecedentes
    ou
    História lacrimogênica de cordel
    ou
    Saída discreta pela porta dos fundos


    Todos aparecem ao longo da narrativa, durante o processo de criação. Reúnem narrador, escritor e criação. É importante observar que apenas o 5º título é acompanhado por ponto final. Isto acontece porque a história a ser narrada contém segredos (um deles pode ser lido como "o que é o mistério da morte?") e também é a frase que Macabéa pronunciou antes de morrer.

    A "Hora da Estrela" representa o momento epifânico de Macabéa: a hora da morte. É irônica porque só no momento da morte é que Macabéa alcança a grandeza do ser. Já a autora atinge a epifania ao concluir a obra. É a epifanização do tormento de escrever.

    O narrador também é personagem principal porque, ao desenvolver a narrativa, mostrando-nos Macabéa, busca a própria identidade. Moldara Macabéa sobre o seu próprio destino e solidão, e morre com ela. Ao mesmo tempo, ele é um disfarce do "eu" da escritora.

    A escritora e o narrador, usando as personagens Macabéa e Olímpico, tecem críticas a respeito do ato de falar, expressar-se, escrever, ler, interpretar. Macabéa possui um vocabulário restrito, cultura por flashes, baseada na memorização acrítica. Olímpico não tem consciência crítica para interrogar o código linguístico e aproximar-se das palavras sem conhecer o seu conceito.

    A obra de Clarice Lispector pertence à Terceira Geração Modernista. Há o trabalho com o fluxo de consciência, com a linguagem; transita pelo plano metafísico (indagações existenciais), pelo inconsciente, pela autoanálise com projeções da filosofia existencialista.







  • Fonte   





  • Leitura 9º Ano - Pai, Posso Dar um Soco Nele?


          Quem poderia imaginar que um acampamento se transformaria em uma aventura que exigiria muita coragem da turma para salvar uma civilização fadada ao desaparecimento?
    José Cláudio da Silva escreve "Pai, Posso Dar Um Soco Nele?", um livro que prende a atenção de pessoas de todas as idades, com uma leitura leve, divertida e gostosa.




    quinta-feira, 5 de julho de 2012

    O Corcunda De Notre Dame (Victor Hugo)

    Livro ( Baixe Aqui)


    Nessa obra, Victor Hugo nos apresenta algumas das mais contundentes questões e milenares para humanidade: a dificuldade em conviver - e aceitar - as diferenças e as desenfreadas ambições humanas para se conseguir aquilo que se quer.
    Embora o personagem Quasímodo (o corcunda) seja a maior representação da dificuldade para aceitar alguém ou algo muito diferente, Victor Hugo nos mostra muitas outras no decorrer dessa leitura.
    Na cidade de Paris, meados do século XV, na torre da catedral gótica mais famosa de toda Europa, vive Quasímodo, que significa domingo de pascoela, isto é, o domingo após a páscoa, o sineiro da catedral. Um homem de feições deformadas, membros detorcidos, porém sensível às manifestações da beleza em todas as suas nuances. Alguém que sofre muito por sua imposta solidão.
    Quasímodo é um ser taciturno, que almeja sair para o mundo, ainda que este mundo seja o entorno da catedral de Notre Dame, onde se realizam diversas festividades.
    Ele foi adotado, ainda criança, por Frollo, arcediago da catedral de Notre Dame. Um homem que por detrás de seu pseudo-moralismo e seriedade, possui uma personalidade vil, déspota e possessiva, um típico representante da santa inquisição.
    Um homem com plenos poderes sobre a cidade e a sociedade em que vive?alguém que, cobrando eternamente a bondade de ter adotado Quasímodo, segundo ele, quando até sua própria mãe o rejeitou? e tendo-o criado na escuridão da torre de notre dame, faz do corcunda seu escravo, além de tentar destruir sua personalidade, igualando-o sempre a um monstro.
    Durante uma das festividades nos arredores de notre dame, as quais Quasímodo sempre assiste do alto da torre, ocorre um pequeno distúrbio.
    Observando as ocorrências, Quasímodo vê uma linda mulher envolvida na confusão?uma beleza, diferente,radiante. Alguém que com sua simples presença, lhe deu coragem? a mulher estava sendo presa, acusada de criminosa, sendo machucada.
    E Quasímodo, pela primeira vez, em toda a sua vida, sai da catedral para salvar aquela que, ele descobre depois, chama-se Esmeralda. O povo vê a criatura que nunca tinha visto antes?e reage de forma animalesca. Quasímodo consegue, a princípio, salvar Esmeralda?completamente encantado por ela. Esmeralda, por sua vez, se encanta e se ressente pela situação imposta a Quasímodo. Afinal, eles são muito similares: sozinhos e considerados marginais pela sociedade,ele pela aparência, e ela por ser cigana, povo altamente repudiado pelo clero da época.
    Apesar da atitude heróica de Quasímodo, Esmeralda é presa novamente. Na prisão, é torturada por um homem que se sente atraído sexualmente por ela: o arcediago Frollo. Ele a tortura e a machuca, pois em sua mente doentia, ela é a representação de satã ao despertar tais sentimentos e desejos num homem santo como ele?nesse ínterim, um nobre cavalheiro francês, tido como herói de guerra, chega à cidade. Conhece Quasímodo, se apaixona por Esmeralda e compra uma verdadeira guerra com Frollo, o todo poderoso local.
    Daí por diante, com uma maestria única, Victor Hugo nos apresenta a uma infinidade de personagens, situações, emoções e sentimentos que nos fazem rir, chorar e nos emocionar. A queda do herói, quando Quasímodo conhece a verdadeira face? de Frollo, a manipulação pela religião de toda uma sociedade, o preconceito, a luxúria, o ódio e a paixão, permeiam essa grande história, dita fantasiosa, mas que em outros aspectos, ocorre até os dias de hoje. Trágica - sim, de certa forma - mas, acima de tudo, uma bela lição sobre coragem, luta e amor.
    Um livro, literalmente, fantástico! 

    segunda-feira, 14 de maio de 2012

    Leitura 2º Bimestre 2º Anos

     Análise do Livro Inocência

     

    Literatura: 5 livros para entender o Romantismo


            Entre os principais conteúdos cobrados nas provas de Literatura dos vestibulares do País, se destaca o Romantismo. O movimento, que se desenvolveu na Europa na virada dos séculos XVIII para XIX, teve início no Brasil no ano de 1836, com a publicação de Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães.
    Para o professor Vanderlei Vicente, dos cursos Unificado e PV Sinos, o vestibulando deve ter em mente algumas características da escola, como a idealização das relações e do caráter humano, o sentimentalismo exacerbado e, no Brasil, uma presença marcante do elemento indígena. O professor selecionou cinco dos principais romances do período, para ajudar a compreender a prosa romântica na literatura brasileira:

    A Moreninha(1844), de Joaquim Manuel de Macedo - "Este romance merece atenção do estudante, por ser considerado o primeiro romance romântico brasileiro. Na obra, Augusto sente-se preso a uma promessa de amor feita anos atrás, o que o torna inconstante frente a outras possibilidades de relacionamento. Ao se apaixonar por Carolina, ele tem a doce surpresa: ela era a menina com quem havia trocado juras de amor no passado e que considerava digna de seu amor".
    O Guarani(1857), de José de Alencar - "Este é o primeiro romance de temática indianista publicado pelo autor, que estabelece uma visão idealizada sobre a formação do povo brasileiro através do índio Peri e da portuguesa Cecília. A idealização do indígena fica evidente nas ações de Peri, que, em certo momento da obra, chega a oferecer-se para o sacrifício para salvar sua amada Ceci. No final do romance, a permanência de Ceci com Peri na selva dá um caráter fundador ao texto". 

    Inocência (1872), de Visconde de Taunay - "Uma das mais exploradas temáticas do Romantismo é a do amor proibido. Essa é a tônica do romance Inocência, que explora a paixão entre os personagens Cirino, um falso médico que atendia no interior do Brasil; e Inocência, jovem prometida por seu pai a um morador da região, Manecão Doca. Num desfecho trágico, a morte de Cirino impede a consagração do amor e, provavelmente, serve como motivador para a morte da melancólica Inocência". 

    A Escrava Isaura(1875), de Bernardo Guimarães - "Este romance apresenta a trajetória de Isaura, escrava paradoxalmente clara que é perseguida por seu senhor, Leôncio. Após fugir para o Nordeste, Isaura conhece e apaixona-se por Álvaro. O desfecho do romance é mais que feliz: Álvaro liberta Isaura das mãos de Leôncio ao pagar dívidas deste e tomar-lhe os bens. Vale lembrar que a obra obteve importância em sua trajetória por tratar de um tema polêmico para a época: a escravidão". 

    Memórias de um Sargento de Milícias(1853), de Manuel Antônio de Almeida - "Publicado em pleno Romantismo, paradoxalmente, uma das principais virtudes deste romance é o fato de ele fugir aos clássicos clichês românticos. Leonardo, visto como uma espécie de anti-herói (o narrador chega a afirmar que o protagonista escolhera ser um vadio), ascende na hierarquia militar com o apoio do major Vidigal. Os personagens apresentam valores questionáveis como se percebe na figura do padre (que se envolve com uma cigana), na mãe de Leonardo (que abandona a família e foge com um amante) ou mesmo de Vidigal (que ajuda Leonardo por ter interesses pessoais envolvidos)".