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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Variação Linguística



ASA BRANCA

(Luiz GonzaGa)



Quando oiêi a terra ardendo
Quà foguêra de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Pru que tamanha judiação?


Que brasero, que fornáia
Nem um pé de prnatação
Por farta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão


Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração


Hoje longe muitas légua
Numa triste solidão
Espero a chuva caí de novo
Pra mim vortá pro meu sertão


Quando o verde dos teus óios
Se espaiá na prrantação
Eu te asseguro, num chore não, viu
Que eu voltarei, viu, meu coração




Análise da variação linguística na música “Chopis Centis”

Chopis Centis

Eu dí um beijo nela
e chamei pra passear.
A gente fomos no shopping,
pra mó de a gente lancha.
Comi uns bicho estranho, com um tal de gergelim.
Até que tava gostoso, mas eu prefiro aipim.

Quantcha gente,
E quantcha alegria,
A minha felicidade
é um crediário
nas Casas Bahia.

Esse tal Chopis Centis é muito legalzinho,
prá levar as namorada e dá uns rolêzinho.
Quando eu estou no trabalho,
não vejo a hora de descer dos andaime
prá pegar um cinema, do Schwarzeneger
e também o Van Damme.

Quantcha gente,
E quantcha alegria,
A minha felicidade
É um crediário
nas Casas Bahia.

Essa música é um ótimo panorama do que se trata de variações lingüísticas.
Observa-se a variação social, onde se pode notar o meio social do indivíduo, tal como seu grau de instrução. Neste caso, o sujeito apresenta-se como uma pessoa de classe social baixa, como no trecho “A minha felicidade, é um crediário nas Casas Bahia” (comércio popular); que exerce a profissão de pedreiro “Quando eu estou no trabalho, não vejo a hora de descer dos andaime” e com baixa escolaridade, utiliza-se “eu dí um beijo nela” ao invés da forma culta “eu dei um beijo nela”.
A variação geográfica, que se trata das diferentes formas de pronuncia, vocabulário e estruturas sintáticas de cada região, apresenta-se através do uso da palavra aipim, raiz comestível, que no Brasil, pode ser conhecida também como macaxeira, mandioca, maniva e pão-de-pobre.
Já a variação estilística, considerando o indivíduo em um grau de comunicação informal, quando há um mínimo de reflexão sobre as normas lingüísticas, utilizado nas conversações imediatas do cotidiano, é observada nos trechos: “A gente fomos no shopping, pra mó de a gente lancha”, “Esse tal Chopis Centis, é muito legalzinho”, “Quantcha gente, quantcha alegria”.

"Nenhuma língua permanece a mesma em todo o seu domínio e, ainda num só local, apresenta um sem-número de diferenciações.(...) Mas essas variedades de ordem geográfica, de ordem social e até individual, pois cada um procura utilizar o sistema idiomático da forma que melhor lhe exprime o gosto e o pensamento, não prejudicam a unidade superior da língua, nem a consciência que têm os que a falam diversamente de se servirem de um mesmo instrumento de comunicação, de manifestação e de emoção."
(Celso Cunha, em  Uma política do idioma)












sábado, 20 de outubro de 2012

Análise da Música: Dom Quixote


Dom Quixote
Engenheiros do Hawaii
Composição: Humberto Gessinger / Paulo Galvão
 
Muito prazer, meu nome é otário
Vindo de outros tempos mas sempre no horário
Peixe fora d'água, borboletas no aquário
Muito prazer, meu nome é otário
Na ponta dos cascos e fora do páreo
Puro sangue, puxando carroça
Um prazer cada vez mais raro
Aerodinâmica num tanque de guerra,
Vaidades que a terra um dia há de comer.
"Ás" de Espadas fora do baralho
Grandes negócios, pequeno empresário.
Muito prazer me chamam de otário
Por amor às causas perdidas.
Tudo bem, até pode ser
Que os dragões sejam moinhos de vento
Tudo bem, seja o que for
Seja por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas. 
 



         Questões:
  1. O eu-lírico da canção se intitula "otário". Que relação pode-se estabelecer entre esse adjetivo e ao Dom Quixote da obra?
  2. Dom Quixote era um sonhador. Relacione essa característica da personagem ao verso "Peixe fora d'água, borboletas no aquário".
  3. Escreva o verso da canção que apresenta uma cena da obra lida. Que sentido tem esse verso depois da frase "Tudo bem, até pode ser"?
  4. O eu-lírico da canção sente-se "deslocado" do mundo em que vive. Como sentia-se Dom Quixote?
  5. Você concorda que Dom Quixote também tinha amor "às causas perdidas"? 
  6. Analise sintaticamente e morfologicamente o texto musical.
Fonte


Leia o livro AQUI.






Por que ler Dom Quixote?
- Algum significado para Dom Quixote?
Num primeiro momento, falamos de Cer­vantes, criador de Dom Quixote e Sancho Pan­ça. . Se for possível, vamos tentar agora uma inter­pretação do "engenhoso Fidalgo, Dom Qui­xote de la Mancha" .
Observação preliminar: "Dom Quixote" pode ser lido singelamente como se lê uma estória. Talvez tenha sido assim que ele foi escrito: com a quase ingênua jubilação de quem vai contando uma aventura, sem mui­ta certeza do que irá acontecer depois, dei­xando-se levar pelo improviso. Cervantes teve real dificuldade de explicar por que tinha es­crito aquele livro, apesar de ele dizer isto num Prólogo cheio de intestinas malícias. Teria ele, de fato, escrito o "Dom Quixote" para com­bater a literatura cavalheiresca, como ficou dito no fim do livro pelo velho fidalgo mori­bundo, retornando à razão e a um simples Alonso Quijano, o Bom? Os melhores comen­tadores não crêem que isto deva ser levado a sério, visto que, naquela época, os romances de cavalaria já estavam completamente sem leitores... Talvez por isso, escreveu Lis Astra­na Martin (importantíssimo biógrafo de Cer­vantes) que "o Quixote é, sem duvida, um li­vro de entretenimento e sem simbolismos, mas livro que se tornou simbólico, livro de dor". (Citado em Vianna MOOG. Heróis da De­cadência, Rio, 1964, p. 103.) Por outro lado, já dizia Goethe a respeito do seu "Fausto": "Per­guntam-me que idéia eu procurei encarnar no meu Fausto. Como se eu soubesse... Como se eu mesmo o pudesse dizer... " (Conversas com Eckermann, dia 6/5/1827.) E ele pedia que não se quisesse sempre descobrir uma idéia su­blime, abstrata, simbólica, por detrás de toda história, só porque essa história se tornou um grande livro da literatura mundial. Essa idéia pode até existir, mas a gente não é sempre obrigado a ficar procurando por ela.
Cervantes pode não ter sido um gênio to­dos os dias de sua vida, o que, ao contrário, parece ter acontecido com Platão, Shakespea­re ou Goethe. Talvez tenha razão Unamuno quando afirma que Cervantes foi um "gênio temporário", nos momentos em que se dei­xava "tomar" pela alma de sua gente. "De­pois do Quixote e antes do Quixote, nada de genial" - pensa Don Miguel de Unamuno. E mesmo durante a criação do Quixote, sua ge­nialidade era intermitente. Quando narrava, quando deixava o espírito do povo falar, gê­nio. Se se punha a fazer crítica literária ou fi­losofia por conta própria - manifestava uma verdadeira "opilação intelectual". (Cf. UNA­MUNO. Ensayos - V, p. 223.) Mas houve Dom Quixote. Dom Quixote não é apenas a perso­nagem "Quixote". É, pelo menos, Sancho Pança também. Os dois expressam as duas faces da Espanha. Mais até: as duas faces do ho­mem. Todos nós, de uma forma ou de outra, somos um pouco Quixotes e Panças. Fernan­do Collor ou Irmã Dulce. Gorbatchev ou Ka­rol Wojtyla. Esses são quixotes e sanchos pú­blicos. Mas, na vida privada ou municipal, você vai encontrá-los a todo momento, no jo­vem que acaba de casar e acredita em moi­nhos de vento e dulcinéias, mas se sente ar­rastado ao terra-a-terra pela resistente reali­dade, ou na moça que entra para o convento e se entrega inteira ao Cristo, aos pobres, ao Amor, ..
Não interessa muito o que o autor tenha pensado de sua obra. O mais provável é que Cervantes, como em geral os grandes auto­res, não tenha percebido, com clareza, toda a importância de seu livro. O próprio Goethe observa que é preciso ensinar ao criador o sen­tido daquilo que ele criou... (Cf. Fitzmaurice, cit. em Vianna Moog, o.c., p. 102.) Uma obra, uma vez escrita, começa a ter vida própria, independente de seu autor. Sobretudo quan­do se trata de uma obra-prima como "Dom Quixote". O que Cervantes queria ou não que­ria ao escrevê-la, é apenas, se se puder conse­guir uma resposta, uma questão histórica, passada. O que vale "Dom Quixote", isto ele continuará valendo mesmo que não se lhe co­nhecesse o autor. 









quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Interpretação Textual - Música

 Marvin  ( Titãs)


Meu pai não tinha educação
Ainda me lembro
Era um grande coração
Ganhava a vida
Com muito suor
E mesmo assim
Não podia ser pior
Pouco dinheiro
Prá poder pagar
Todas as contas
E despesas do lar...

Mas Deus quis

Vê-lo no chão
Com as mãos
Levantadas pr'o céu
Implorando perdão
Chorei!
Meu pai disse:
"Boa sorte"
Com a mão no meu ombro
Em seu leito de morte
E disse:
"Marvin, agora é só você
E não vai adiantar
Chorar vai me fazer sofrer"...

E três dias depois de morrer

Meu pai, eu queria saber
Mas não botava
Nem os pés na escola
Mamãe lembrava
Disso a toda hora...

E todo dia

Antes do sol sair
Eu trabalhava
Sem me distrair
As vezes acho que
Não vai dar pé
Eu queria fugir
Mas onde eu estiver
Eu sei muito bem
O que ele quis dizer
Meu pai, eu me lembro
Não me deixa esquecer
Ele disse:
"Marvin, a vida é prá valer
Eu fiz o meu melhor
E o seu destino
Eu sei de cor"...

-"E então um dia

Uma forte chuva veio
E acabou com o trabalho
De um ano inteiro
E aos treze anos
De idade eu sentia
Todo o peso do mundo
Em minhas costas
Eu queria jogar
Mas perdi a aposta"...

Trabalhava feito

Um burro nos campos
Só via carne
Se roubasse um frango
Meu pai cuidava
De toda a família
Sem perceber
Segui a mesma trilha
E toda noite minha mãe orava
Deus!
Era em nome da fome
Que eu roubava
Dez anos passaram
Cresceram meus irmãos
E os anjos levaram
Minha mãe pelas mãos
Chorei!
Meu pai disse:
"Boa sorte"
Com a mão no meu ombro
Em seu leito de morte
E disse:

"Marvin, agora é só você

E não vai adiantar
Chorar vai me fazer sofrer"
"Marvin, a vida é prá valer
Eu fiz o meu melhor
E o seu destino eu sei de cor"...(2x)

Reflexão:

Podemos mudar nossos destinos, ou ele já está escrito? 



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Análise da Música: Eduardo e Mônica - Legião Urbana

Eduardo e Mônica

Composição: Renato Russo

Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
No outro canto da cidade, como eles disseram
Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Um carinha do cursinho do Eduardo que disse
"Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir"
Festa estranha, com gente esquisita
"Eu não tô legal", não agüento mais birita"
E a Mônica riu, e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
"É quase duas, eu vou me ferrar"
Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard
Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de "camelo"
O Eduardo achou estranho, e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo
Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô
Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda tava no esquema
Escola, cinema, clube, televisão
E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser
Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro, artesanato, e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar (não!)
E ela se formou no mesmo mês
Que ele passou no vestibular
E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela
E vice-versa, que nem feijão com arroz
Construíram uma casa há uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana, seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram
Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias, não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação
E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?


Análise: Eduardo & Monica I : (4ª estrofe) "...O Eduardo sugeriu uma lanchonete / Mas a Monica queria ver o filme do Godard..." * Jean-Luc Godard ( 1930 ) Diretor suíço que renovou o cinema francês nas décadas de 50 e 60. O principal filme foi Acossado Ele tinha uma posição política bem radical, criticava as atitudes do governo da França numa época em que o sistema capitalista ia "muito bem obrigada" (ao contrário de hoje em que achamos normal todos os dias ouvir falar de crise) - e isso cegava as pessoas quanto aos erros de seus governantes.


II: (fim da 4ª estrofe) "...Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, / De Van Gogh e dos Mutantes / De Caetano e de Rimbaud. 


Manuel Bandeira (1886-1968) é um poeta modernista brasileiro.


Bauhaus: Pode ser referência a duas coisas: Ou é a uma banda de rock gótico, ou a um estilo arquitetônico alemão modernista (Existiu entre as duas Grandes Guerras -1919 / 1933), era considerada profundamente subsersivo e mudou muito o que se conhecia na aquitetura. Também era ligado ao comunismo.


Vincent Van Gogh: (1853-1890) Pintor holandês pós impressionista... 


Os Mutantes: primeira grande banda de rock brasileira (1966-1978). Os integrantes mudaram várias vezes, mas o trio que mais fez sucesso foi: Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias.


Jean Arthur Rimbaud: (1854-1891) poeta simbolista francês. Era um aventureiro, suas idéias eram muito revolucionárias para sua época... e são até hoje. Vivia com o também poeta Verlaine. 


Fonte 







sexta-feira, 27 de maio de 2011

Análise de Música

Ditadura da Televisão

Ponto De Equilibrio Composição : Lucas Kastrup / Diogo Viana

 

Na infância você chora, te colocam em frente da TV.
Trocando as suas raízes por um modo artificial de se viver.
Ninguém questiona mais nada, os homens do "poder" agora contam sua piada.
Onde só eles acham graça, abandonando o povo na desgraça
Vidrados na tv, perdendo tempo em vão

Ditadura da televisão, ditando as regras, contaminando a nação!

O interesse dos "grandes" é imposto de forma sutil
Fazendo o pensamento do povo se resumir a algo imbecil:
Fofocas, ofensas, pornografias
Pornografias, ofensas, fofocas
Futilidades ao longo da programação.


Ditadura da televisão, ditando as regras, contaminando a nação!

Numa manhã de Sol, ao ver a luz
Você percebe que o seu papel é resistir, não é?
Mas o sistema é quem constrói as arapucas
E você está prestes a cair
Da infância a velhice, modo artificial de se viver
Alienação, ainda vivemos aquela velha escravidão.

Ditadura da televisão, ditando as regras, contaminando a nação!

sábado, 23 de abril de 2011

Pais e Filhos - Análise da Música

Análise da Música:



Pais e Filhos
Estátuas e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe
O que aconteceu…
Ela se jogou da janela
Do quinto andar
Nada é fácil de entender…
Dorme agora
Uuuhum!
É só o vento
Lá fora…
Quero colo!
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui
Com vocês
Estou com medo
Tive um pesadelo
Só vou voltar
Depois das três…
Meu filho vai ter
Nome de santo
Quero o nome
Mais bonito…
É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Por que se você parar
Prá pensar
Na verdade não há…
Me diz, por que o céu é azul
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos
Que tomam conta de mim…
Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua
Não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar…
Já morei em tanta casa
Que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais
Huhuhuhu!…Oh! Oh!…
Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais
Não lhe entendem
Mas você não entende seus pais…
Você culpa seus pais por tudo
E isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer?…


Análise:

       Como todos sabem,essa linda composição, retrata o suicídio de uma menina.
      Renato Russo faz questão de enfatizar o absurdo do ato quando ele descreve com detalhes a riqueza e o conforto que cercavam a personagem, "Estátuas, cofres e paredes pintadas” nos dão a clara ideia da suntuosidade na qual ela vivia. " Ninguém sabe o que aconteceu…"mostra a despreocupação da sociedade em relação a situações como essa."Ela se jogou da janela do quinto andar nada é fácil de entender…" com essa frase mostra a certeza do suicídio."Dorme agora Uuuhum! É só o vento lá fora…" esse dormir,quer dizer a morte da menina,nada mais existe a não ser um vento que até se pode escutar."Quero colo! vou fugir de casa posso dormir aqui com vocês estou com medo tive um pesadelo só vou voltar depois das três…" essa parte da música é bem simples,mostra a falta de sintonia entre uma família, ao mesmo tempo  em que a menina quer colo, ela foge de casa,e ao mesmo tempo em que ela quer dormir com seus pais por causa do pesadelo,ela vira e fala que vai sair e só volta depois das três,e durante toda a noite tem certeza de que não precisará deles.

        "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã por que se você parar pra pensar na verdade não há…"

Continue a leitura na fonte abaixo.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Admirável Gado Novo



Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber…
E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer…
Refrão
Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado, Êh!
Povo feliz!..
Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal…
E correm através da madrugada
A única velhice que chegou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou…
Refrão
O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam essa vida numa cela…
Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo se acabar
A Arca de Noé, o dirigível
Não voam nem se pode flutuar…
Refrão
A composição foi feita com três estrofes Oitavas e uma Quadra-Refrão
repetida entre elas, que a definiram como Balada. O texto do Refrão, que nos 
sugere como gado marcado, mostra a nossa acomodação diante da rotina social
a que nos permitimos submeter sem questionamentos.
Cada uma das Oitavas trás interpretações de fragmentos das previsões de 
Huxley para a nossa sociedade, submetida a uma Educação Programada, que 
nos tornaria limitados, nas Reações formais e dedutivas, diante das Ações 
informais, mas educativas.
Essa primeira estrofe trás também, nos últimos quatro versos, a posição 
contrária e submissa do Educador diante do quadro social que se mostrava
presente e sugeria um futuro óbvio de automação submissa.

A segunda estrofe longa sugere mostrar o trânsito da informação ancestral, via
radiodifusão e imprensa escrita, estampadas na velhice à beira da estrada da 
vida, pesando pelo hoje, as qualidades do ontem diante das incertezas do
amanhã, baseadas no quadro descrito na primeira estrofe.

A última estrofe já é a narrativa do comportamento social contemporâneo e
consequente, previsto nas anteriores, onde o jovem, buscando se entender no
Presente com tais características, reconhece como melhores as gerações
passadas, assumindo finalmente à insegurança dos próprios passos, conforme
desejava a Educação prevista na primeira estrofe.

Ainda nessa última estrofe, o Zé contribuiu com algumas observações menos
proféticas, como o ser social aprisionado em seu próprio lar pela criminalidade 
externa, numa idéia provavelmente capturada da composição O Hino da 
Repressão (segundo turno), da Ópera do Malandro (o filme), Chico Buarque,
que diz:

A lei tem motivos
Pra te confinar
Nas grades do teu próprio lar

A criminalidade externa a que me refiro não é essa que observamos no cotidiano
de balas perdidas etc; mas, talvez, à que seguirá abaixo, que consta num 
apócrifo editado pela primeira vez 25 anos antes do Admirável Mundo Novo:


“Um espírito equilibrado poderá esperar guiar com êxito as multidões por meio 
de exortações sensatas e pela persuasão, quando o campo está aberto à
contradição, mesmo desarrazoada, mas que parece sedutora ao povo, que tudo 
compreende superficialmente? Os homens, quer sejam ou não da plebe, guiam-
se exclusivamente por suas paixões mesquinhas, suas superstições, seus 
costumes, suas tradições e teorias sentimentais; são escravos da divisão dos 
partidos que se opõem a qualquer harmonia razoável. Toda decisão da multidão
depende de uma maioria ocasional ou, pelo menos superficial; na sua ignorância 
dos segredos políticos, a multidão toma resoluções absurdas; e uma espécie de 
anarquia arruína o governo.

A política nada tem de comum com a moral. O governo que se deixa guiar pela 
moral não é político e, portanto, seu poder é frágil. Aquele que quer reinar deve 
recorrer à astúcia e à hipocrisia. As grandes qualidades populares – fraqueza e 
honestidade – são vícios na política, porque derrubam mais os reis dos tronos 
que o mais poderoso inimigo. 

Nosso fim é possuir a força. A palavra “direito” é uma idéia abstrata que nada 
justifica. Essa palavra significa simplesmente isto: “Dê o que eu quero para eu
 provar que valho mais que você!”. Onde começa ou acaba o direito?

Num estado em que o poder está mal organizado, em que as leis e o governo se
tornam impessoais por causa dos inúmeros direitos que o liberalismo criou, veio 
um novo direito, o de me lançar, de acordo com a lei do mais forte, contra 
todas as regras e ordens estabelecidas, derrubando-as; o de por a mão nas leis, 
remodelando as instituições e tornando-me senhor daqueles que abandonaram 
os direitos que lhes davam força, renunciando a eles, voluntariamente, 
liberalmente…”
Os Protocolos Dos Sábios do Sião ( capítulo I ).

Fonte




sábado, 23 de outubro de 2010

Análise da Música

 

Geração coca-cola

Legião Urbana

Quando nascemos fomos programados
Pra receber de vocês
Nos empurraram com os enlatados
Dos U.S.A., de nove as seis
Desde pequenos nos comemos lixo
Comercial e industrial
Mas agora chegou nossa vez
Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês
Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola
Depois de 20 anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser
Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis
Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola
Geração Coca-Cola
Geração Coca-Cola
Geração Coca-Cola

Composição: Renato Russo / Fê Lemo

Análise:

“Depois de vinte anos na escola”. Seria conspiração excessiva? Quero acreditar que Renato Russo está nos lembrando aqui o período de, também, vinte anos de ditadura militar no Brasil. Tempo suficiente para lembrar de outro jargão: “Já que não dá pra vencê-los, junte-se a eles”, “não é assim que tem que ser”. Difícil descobrir se é uma pergunta ou uma afirmação positivista. Renato… Sempre devolvendo, como nossos professores, a pergunta para nós mesmos.
Renato atemporal! Russo profeta! “Suas crianças derrubando reis”. Geração Coca-Cola, cara-pintada, internet, desempregada, não importa. Fato é que (fora do regime militar) temos voz e corremos atrás, bem menos do que deveríamos, mas “vamos fazer nosso dever de casa”. A primeira lição foi a campanha pelas Diretas-Já, um memorável movimento cívico popular. Não conseguimos, inicialmente, mas houve mudanças significativas. Também não dá para deixar de comentar o impeachment do então Presidente Collor de Mello (nesse eu estava lá, cara-pintada, cheia de esperança… ilusões), a verdade é que falta mais esclarecimento, uma visão mais crítica, mais apurada da política atual…
Para não ficar só no faz-me rir… E quanto à “fazer comédia no cinema com as suas leis”, “seria cômico se não fosse trágico” o sucesso do filme “Tropa de Elite” de José Padilha, que revela toda a sujeira por trás dos sistemas no país. Que vergonha a realidade quando revelada, assim, abertamente.


O título é uma alusão ao trabalho de marketing da Pepsi anos atrás da criação da música com objetivo de fisgar os novos consumidores, jovens na sua maioria, fidelizando-os para que fossem seus consumidores pelo resto de suas vidas. Naquela época (até hoje) o mercado era totalmente dominado pela Coca-Cola, e a Pepsi criou o slogan “Geração Pepsi” na busca de novos consumidores e consumidores novos. Não é preciso comentar que a campanha publicitária da Pepsi não deu certo, né mas pelo menos serviu de inspiração ao Renato para o título dessa interssante canção.

 Continue lendo as diversas interpretações aqui.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Análise da Música : Que País É Este? Legião Urbana






Que País É Este?                                                                           
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação

Que pais é este?

No Amazonas, no Araguaia, na Baixada fluminense
No Mato grosso, nas Gerais e no Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso mas o sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão

Que país é este ?

Terceiro Mundo se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão.

Que país é este?


 Análise:

Uso do Pronome: Este.


Que país é este - Essa pergunta, não é uma pergunta, é uma exclamação!

      - Comentário escrito por Renato Russo que faz parte do encarte  do disco Que País é Este: 
"É uma das marcas registradas da Legião Urbana junto com "Geração Coca-Cola", escrita em 1978 para o então Aborto Elétrico e, mais tarde, incorporada definitivamente ao repertório da Legião. Com seu ritmo tribal e seus três acordes. Nunca foi gravada antes porque sempre havia a esperança de que algo iria realmente mudar no país, tornando-se a música então totalmente obsoleta. Isto não aconteceu e ainda é possível se fazer a pergunta do título, sem erros.

       
Atividade:
Levando-se em conta a corrupção na Política Brasileira qual é a sua análise ou interpretação para a música?

Poste sua resposta nos Comentários do Blog. 



segunda-feira, 9 de agosto de 2010

ALAGADOS – OS PARALAMAS DO SUCESSO - Análise

Alagados

Os Paralamas do Sucesso

Composição: Herbert Viana/ Bi Ribeiro
Todo dia o sol da manhã
Vem e lhes desafia
Traz do sonho pro mundo
Quem já não o queria
Palafitas, trapiches, farrapos
Filhos da mesma agonia
E a cidade que tem braços abertos
Num cartão postal
Com os punhos fechados na vida real
Lhe nega oportunidades
Mostra a face dura do mal
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
Todo dia o sol da manhã
Vem e lhes desafia
Traz do sonho pro mundo
Quem já não o queria
Palafitas, trapiches, farrapos
Filhos da mesma agonia
E a cidade que tem braços abertos
Num cartão postal
Com os punhos fechados na vida real
Lhe nega oportunidades
Mostra a face dura do mal
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé
Mas a arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé


Análise:
Todo dia, o sol da manhã
Vem e lhes desafia

(Já diz um ditado “Não importa quão bem ou mal falem dele, o sol nunca deixa de cumprir seu papel, surgindo pelas manhãs de todos os dias e indo embora somente quando a noite lhe pede licença, para a chegada da Lua”.
Traz do sonho pro mundo
Quem já não o queria

(O sol entra pelas janelas do quarto sem qualquer permissão e traz de volta à dura realidade aqueles que sobrevivem em dificuldades e sonham com um mundo melhor)
Palafitas, trapiches, farrapos
Filhos da mesma agonia

(Essa é a triste realidade citada logo acima)
E a cidade, que tem braços abertos
Num cartão postal

(Aqui se faz referência ao Rio de Janeiro e ao Cristo Redentor, um dos cartões postais mais belos do mundo e uma de suas 7 maravilhas)
Com os punhos fechados na vida real
Lhe nega oportunidades
Mostra a face dura do mal

(Uma forte crítica ao suposto “abandono” por parte do governo aos que vivem na miséria, em busca da oportunidadade de uma vida melhor, não somente no Rio, mas em todo Mundo, em especial, o Brasil)

Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê

(A parte acima traz muitas mensagens das quais faço a seguinte interpretação:

Alagados é o nome de uma favela de Salvador, Favela da Maré, do Rio de Janeiro, e Trenchtown, da Jamaica, onde viveram músicos famosos de reggae, como Bob Marley, Bunny Wailer e Peter Tosh, que formavam inicialmente a banda The Wailers. O próprio Bob, cita a terra natal na sua mais famosa música, No Woman no Cry (“I remember when we used to sit / In the government yard in Trenchtown“).
O objetivo é fazer uma comparação entre a vida nessas três favelas e mostrar que, como diriam os cumpadres Titãs “…miséria é miséria em qualquer canto, riquezas são diferentes…”
Que a esperança de dias melhores não chega e a mídia em nada contribui para conter essa situação.
Ainda assim a população consegue sorrir e mesmo sem ter o que comer e onde morar, ser feliz, vivendo pela fé de um dia tudo mudar, sem ao menos imaginar se, quando e como isso será possível)
O mais interessante e triste, é que o clipe foi feito nos anos 80, retratandos a imagem daquela época, mas pode ser totalmente adaptado aos dias atuais. Só tenho dúvidas quanto ao futuro, afinal do jeito que o mundo está, não me arrisco em afirmar se teremos um!

Fonte:
http://amorcomhumor.wordpress.com/2009/10/31/analisando-a-letra-da-musica-alagados/

Exercício: Escrever a sua própria interpretação e procurar no dicionário as palavras que não conhece.