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terça-feira, 1 de abril de 2014

Texto Informativo e Artigo de Opinião



Redação: Artigo de Opinião from 7 de Setembro




 Texto para estudo e escrita do artigo.

Como escrever um ARTIGO DE OPINIÃO?


O artigo de opinião é um gênero textual argumentativo cuja finalidade é a exposição do ponto de vista do autor acerca de um determinado assunto. É composto por um título, introdução, desenvolvimento e conclusão.

É importante estar preparado para produzir um texto de opinião, pois sempre estaremos nos deparando com situações onde será necessário expor nossas ideias, nosso ponto de vista, seja em concursos, vestibulares, seleções ou em outras situações.

O artigo de opinião tem por base impressões pessoais do autor do texto e, por isso, são passíveis de contestação. Assim, é necessário apresentar bons argumentos fundamentados em dados sólidos de forma a ganhar a credibilidade do leitores.

Antes de escrever o seu artigo de opinião, observe os seguintes aspectos:

1 – Crie um título atrativo para o seu artigo, de maneira que chame a atenção do leitor;
2 - Leia outros pontos de vista sobre o assunto, tanto os prós como os contras;
3 – Visualize o leitor que irá ler o seu texto e adeque a sua linguagem;
4 – Escolha os argumentos que irá utilizar para fundamentar a sua opinião;
5 – Use citações de especialistas no assunto como base para seus argumentos;
6 – Conclua o texto retomando o que foi exposto e confirmando a ideia principal;
7 – Releia o texto e verifique se este é persuasivo e, se necessário, reescreva-o.

 

Crônicas - 9º Ano

Crônicas

A última Crônica

Fernando Sabino

            A caminho de casa, entro num restaurante da Gávea para tomar uma água junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever.
            A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo minha água, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
            Ao fundo do restaurante um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome .

Continue aqui. 
ATIVIDADE:  Fazer um comentário argumentativo a respeito de uma das crônicas. 5 linhas.

Organização do Texto- Parágrafo

Parágrafo:

Os textos são estruturados geralmente em unidades menores, os parágrafos, identificados por um ligeiro afastamento de sua primeira linha em relação à margem esquerda da folha. Possuem extensão variada: há parágrafos longos e parágrafos curtos. O que vai determinar sua extensão é a unidade temática, já que cada idéia exposta no texto deve corresponder a um parágrafo.
É muito comum nos textos de natureza dissertativa, que trabalham com idéias e exigem maior rigor e objetividade na composição, que o parágrafo-padrão apresente a seguinte estrutura:
a) introdução - também denominada tópico frasal, é constituída de uma ou duas frases curtas, que expressam, de maneira sintética, a idéia principal do parágrafo, definindo seu objetivo;
b) desenvolvimento - corresponde a uma ampliação do tópico frasal, com apresentação de idéias secundárias que o fundamentam ou esclarecem;
c) conclusão - nem sempre presente, especialmente nos parágrafos mais curtos e simples, a conclusão retoma a idéia central, levando em consideração os diversos aspectos selecionados no desenvolvimento.
Nas dissertações, os parágrafos são estruturados a partir de uma idéia que normalmente é apresentada em sua introdução, desenvolvida e reforçada por uma conclusão.
Os Parágrafos na Dissertação Escolar:
As dissertações escolares, normalmente, costumam ser estruturadas em quatro ou cinco parágrafos (um parágrafo para a introdução, dois ou três para o desenvolvimento e um para a conclusão).
É claro que essa divisão não é absoluta. Dependendo do tema proposto e da abordagem que se dê a ele, ela poderá sofrer variações. Mas é fundamental que você perceba o seguinte: a divisão de um texto em parágrafos (cada um correspondendo a uma determinada idéia que nele se desenvolve) tem a função de facilitar, para quem escreve, a estruturação coerente do texto e de possibilitar, a quem lê, uma melhor compreensão do texto em sua totalidade.
Parágrafo Narrativo:
Nas narrações, a idéia central do parágrafo é um incidente, isto é, um episódio curto.
Nos parágrafos narrativos, há o predomínio dos verbos de ação que se referem as personagens, além de indicações de circunstâncias relativas ao fato: onde ele ocorreu, quando ocorreu, por que ocorreu, etc.
O que falamos acima se aplica ao parágrafo narrativo propriamente dito, ou seja, aquele que relata um fato.
Nas narrações existem também parágrafos que servem para reproduzir as falas dos personagens. No caso do discurso direto (em geral antecedido por dois-pontos e introduzido por travessão), cada fala de um personagem deve corresponder a um parágrafo para que essa fala não se confunda com a do narrador ou com a de outro personagem.
Parágrafo Descritivo:
A idéia central do parágrafo descritivo é um quadro, ou seja, um fragmento daquilo que está sendo descrito (uma pessoa, uma paisagem, um ambiente, etc.), visto sob determinada perspectiva, num determinado momento. Alterado esse quadro, teremos novo parágrafo.
O parágrafo descritivo vai apresentar as mesmas características da descrição: predomínio de verbos de ligação, emprego de adjetivos que caracterizam o que está sendo descrito, ocorrência de orações justapostas ou coordenadas.
A estruturação do parágrafo:
O parágrafo-padrão é uma unidade de composição constituída por um ou mais de um período, em que se desenvolve determinada idéia central, ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela.
O parágrafo é indicado por um afastamento da margem esquerda da folha. Ele facilita ao escritor a tarefa de isolar e depois ajustar convenientemente as idéias principais de sua composição, permitindo ao leitor acompanhar-lhes o desenvolvimento nos seus diferentes estágios.
O tamanho do parágrafo:
Os parágrafos são moldáveis conforme o tipo de redação, o leitor e o veículo de comunicação onde o texto vai ser divulgado. Em princípio, o parágrafo é mais longo que o período e menor que uma página impressa no livro, e a regra geral para determinar o tamanho é o bom senso.
Parágrafos curtos: próprios para textos pequenos, fabricados para leitores de pouca formação cultural. A notícia possui parágrafos curtos em colunas estreitas, já artigos e editoriais costumam ter parágrafos mais longos. Revistas populares, livros didáticos destinados a alunos iniciantes, geralmente, apresentam parágrafos curtos.
Quando o parágrafo é muito longo, o escritor deve dividi-lo em parágrafos menores, seguindo critério claro e definido. O parágrafo curto também é empregado para movimentar o texto, no meio de longos parágrafos, ou para enfatizar uma idéia.
Parágrafos médios: comuns em revistas e livros didáticos destinados a um leitor de nível médio (2º grau). Cada parágrafo médio construído com três períodos que ocupam de 50 a 150 palavras. Em cada página de livro cabem cerca de três parágrafos médios.
Parágrafos longos: em geral, as obras científicas e acadêmicas possuem longos parágrafos, por três razões: os textos são grandes e consomem muitas páginas; as explicações são complexas e exigem várias idéias e especificações, ocupando mais espaço; os leitores possuem capacidade e fôlego para acompanhá-los.
A ordenação no desenvolvimento do parágrafo pode acontecer:
a) por indicações de espaço: "... não muito longe do litoral...".Utilizam-se advérbios e locuções adverbiais de lugar e certas locuções prepositivas, e adjuntos adverbiais de lugar;
b) por tempo e espaço: advérbios e locuções adverbiais de tempo, certas preposições e locuções prepositivas, conjunções e locuções conjuntivas e adjuntos adverbiais de tempo;
c) por enumeração: citação de características que vem normalmente depois de dois pontos;
d) por contrastes: estabelece comparações, apresenta paralelos e evidencia diferenças; Conjunções adversativas, proporcionais e comparativas podem ser utilizadas nesta ordenação;
e) por causa-conseqüência: conjunções e locuções conjuntivas conclusivas, explicativas, causais e consecutivas;
f) por explicitação: esclarece o assunto com conceitos esclarecedores, elucidativos e justificativos dentro da idéia que construída.

Como Apresentar um Seminário

Toda comunicação oral, o seminário inclusive, deve levar em conta, além da linguagem falada (que se utiliza da entonação, acentuação e ritmo), alguns aspectos físicos ( dos apresentadores/falantes e do lugar) além do conteúdo que está sendo tratado. São eles:

• Qualidade da voz, melodia, elocução (seleção e disposição das palavras e frases) e pausas, respiração, risos e suspiros;
• Atitudes corporais, movimentos, gestos, trocas de olhares, mímicas faciais;
• Ocupação dos lugares, espaço pessoal, distâncias, contato físico;
• Roupas, disfarces, penteados, óculos, limpeza;
• Iluminação, lugares, disposição das cadeiras, ordem, ventilação, decoração.
Ao apresentar um seminário, o expositor deve ter em mente que seu papel/função deve ser transmitir um conteúdo, informar, esclarecer, modificar o conhecimento dos ouvintes.
Para atingir este objetivo, o expositor deve levar em conta aquilo que seus ouvintes já sabem sobre o tema; deve, ao longo de sua exposição, avaliar a dificuldade daquilo que está ensinando e, se necessário, dizer de outra maneira, reformular, dar exemplos. O expositor deve, também, fazer perguntas a fim de estimular a atenção dos ouvintes e de verificar se seus objetivos estão sendo atingidos, ou seja, se todo mundo está entendendo sua exposição.
Antes, porém, da exposição das informações, é necessário que haja uma triagem (seleção) do conteúdo a ser transmitido, uma organização do que foi escolhido, distinguindo as idéias principais das secundárias, com a finalidade de garantir uma progressão clara e coerente do que se pretende expor e concluir.
Em seguida, estas informações devem ser organizadas em partes e subpartes que serão as diferentes fases do seminário.

A seguir, a seqüência das FASES DE UM SEMINÁRIO:
1. ABERTURA – Um expositor (pode ou não fazer parte do grupo) dirige-se ao auditório e apresenta os expositores.
Exemplos: a) “Bom dia, pessoal! Gostaria de apresentar a vocês os componentes do meu grupo: Fulano, Ciclano, Beltrano ...” b) “Atenção, turma! Vamos chamar à frente da classe o grupo Tal que vai falar a vocês sobre um tema muito interessante, a ser apresentado em forma de seminário...”

2. INTRODUÇÃO AO TEMA – Etapa de apresentação, delimitação do assunto. Dá ao orador a oportunidade de explicar as razões de suas escolhas. Esta fase deve mobilizar a atenção e a curiosidade dos ouvintes e, para isso, o expositor deve utilizar uma foto ou ilustração relacionada ao tema, colocar uma questão-isca que desperte a curiosidade, contar uma anedota, fazer perguntas, etc.
Exemplos: a) “Esse seminário abordará tal assunto...”
b) ”Vamos tentar explicar a vocês a importância da ...”
3. APRESENTAÇÃO DO PLANO DA EXPOSIÇÃO – Deve esclarecer, ao mesmo tempo, sobre o produto (o texto planejado) e sobre o procedimento (a forma, a seqüência da exposição).
Exemplos: a) “Falaremos, primeiramente sobre... Depois, daremos alguns exemplos, para, em seguida, abordarmos os seguintes aspectos...” b) “Iniciaremos com uma descrição geral sobre... Em segundo lugar, vamos nos ater especialmente a... Depois, faremos também um detalhamento... E, ainda, veremos... Por fim, iremos...”

4. DESENVOLVIMENTO DO ASSUNTO – É o encadeamento dos diferentes temas (e subtemas) e a quantidade deles deve corresponder ao número anunciado no plano. Faz- se necessário ressaltar que esta fase é a mais importante do seminário e, para que as idéias sejam assimiladas pelos ouvintes, é necessário que elas sejam expostas numa progressão coerente, o que se consegue atentando-se para: a) a coesão temática, ou a ligação, a articulação dos diferentes aspectos de um mesmo assunto; b) a sinalização do texto, ou a distinção das idéias principais das secundárias; c) a introdução de exemplos, sejam eles explicativos ou ilustrativos, tais como cartazes, mapas, gráficos, tabelas, transparências, etc.; e d) a reformulação de palavras ou idéias, para esclarecer as dúvidas dos ouvintes diante de termos novos ou difíceis.
Exemplos: a) “A questão que abordaremos agora é... Isso nos leva à seguinte reflexão:... Então, chegamos agora a um ponto muito importante...” b) Devemos notar, sobretudo, esses dois aspectos... Em outras palavras, podemos chamar de... E, agora, exemplificando...”

5. RECAPITULAÇÃO E SÍNTESE – É a retomada dos pontos principais da exposição e também a fase de transição entre ela e as duas etapas de conclusão que virão a seguir.
Exemplos: a) “Então, para terminar, vamos fazer uma síntese de tudo o que vimos até aqui...” b) “Em resumo, podemos dizer...”
6. CONCLUSÃO – É a transmissão da mensagem final, mas pode ser, também, a proposta de um problema novo aos ouvintes, ou o início de um debate, uma roda de conversa, a execução de algum exercício ou atividade de verificação, uma dinâmica, etc.
Exemplos: a) “Agora, finalizando nosso seminário, vamos colocar a seguinte questão...” b) “Para concluir, queremos deixar a seguinte mensagem...”

7. ENCERRAMENTO – Nesta fase, cabem os agradecimentos ao auditório.
Exemplos: a) “Gostaríamos de agradecer a atenção de todos os presentes...” b) “Esperamos que, de alguma forma, tenhamos contribuído para ampliar o conhecimento de vocês sobre...”
Para que haja compreensão e assimilação do assunto exposto, faz-se necessário, ainda, a observação das seguintes orientações:
• falar alto e dis-tin-ta-mente, nem muito rápido, nem muito lentamente;
• gerenciar pausas;
• captar a atenção da audiência, variando a voz e gerenciando o suspense;
• cuidar da postura, não exagerando nos gestos, mas também não ficando imóvel;
• alternar discurso (fala) e apresentação de documentos diversificados (cartazes, mapas, gráficos, transparências, etc.) e ter em mãos um bom plano ou esquema

Em resumo, o trabalho com seminário envolve todas as etapas abaixo discriminadas:

- tomar consciência da situação de comunicação levando em conta a finalidade e o público alvo;
- pesquisar, ler e explorar textos e/ou documentos diversos (gráficos, fotos, gravações... inclusive) a fim de coletar informações sobre o tema a ser exposto;
- selecionar informações a partir dos textos e/ou documentos pesquisados, exercitando, deste modo, a elaboração de anotações escritas e desenvolvendo as capacidades de exemplificar, ilustrar e explicar;
- distinguir idéias principais de secundárias ao estruturar a exposição das mesmas;
- ordenar os temas, subtemas e/ou tópicos, intercalando-os com exemplos, ao elaborar o plano de exposição;
- preparar anotações/esquema, transparências, mapas, gráficos, tabelas... para servirem de suporte durante a exposição;
- antecipar as dificuldades de compreensão dos ouvintes reformulando ou substituindo as palavras difíceis;
- preparar o seminário, fazendo a ligação (articulação) entre as diversas fases da exposição (abertura, introdução, apresentação, desenvolvimento, resumo, conclusão, encerramento);
- coordenar a distribuição da palavra entre os elementos do grupo;
- treinar para a exposição, tomando consciência da importância da voz, do olhar, da atitude corporal;
- tomar a palavra diante de um grupo. 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Zumbi, esse desconhecido

Ninguém sabe detalhes da vida do último e mais importante líder do Quilombo dos Palmares

Reportagem Reinaldo Lopes |

O nome dele era Zumbi, mas talvez o certo fosse Zambi. Ele pode ter nascido na África e ter sido trazido para cá à força, mas há quem diga que ele era brasileiro e livre. Nem temos certeza de que ele era filho de africanos – se ele nasceu no Brasil, é possível que seu pai fosse africano e sua mãe, índia. Sua morte também é envolta em mistério. Só não existem dúvidas a respeito de uma coisa: até seus adversários o definiam como um homem forte, orgulhoso, inconformado com sua condição social, que resolveu enfrentar seus algozes e libertar seu povo. E ele foi longe nesse objetivo. O Quilombo dos Palmares deu trabalho ao governo de Portugal.

O quilombo foi construído na serra da Barriga, uma área que hoje faz parte do estado de Alagoas. O terreno era uma espécie de fortaleza natural: tinha barrancos que dificultavam o acesso e palmeiras fazendo uma espécie de muralha. Palmares surgiu por volta de 1580, quando escravos que fugiam de Pernambuco e da Bahia construíram uma pequena vila fortificada, onde eles podiam ser livres e estavam protegidos dos soldados que capturavam e matavam os fugitivos dos engenhos de cana-de-açúcar do litoral. No auge da ocupação, em 1670, o quilombo teria chegado a 30 mil moradores – talvez esse número seja um exagero. Mesmo depois da morte de Ganga-Zumba e de Zumbi, seus dois maiores líderes, os escravos ainda resistiram até o ano de 1710.
Se os criadores do quilombo realmente vieram de um engenho, a grande maioria deveria ser homem, pois as fazendas abrigavam poucas mulheres. Talvez por isso, já nos primeiros anos de organização, o aglomerado de fugitivos virou uma pedra no sapato dos portugueses. Volta e meia, os habitantes de Palmares invadiam engenhos para libertar escravos, roubar comida e armas e, principalmente, raptar mulheres. Em 1602, o governador-geral do Brasil, Diogo Botelho, mandou uma expedição contra eles. Foi a primeira das mais de 40 missões de ataque. Era difícil vencer os escravos porque, quando as tropas chegavam, eles abandonavam a cidade e se escondiam no mato.
Quando os holandeses invadiram o Nordeste, os engenhos de açúcar perderam o controle sobre seus escravos e as fugas aumentaram. Palmares recebeu milhares de novos moradores e, em 1654, quando os holandeses foram expulsos, a vila tinha virado uma potência formada por vários aglomerados populacionais, que vendiam e compravam produtos das cidades vizinhas. Nessa fase, pode ser que até brancos tenham vivido dentro do quilombo. E com certeza havia índios morando lá dentro ou por perto. Escavações arqueológicas têm encontrado cerâmica indígena, provavelmente da mesma época de Zumbi.


Crescimento
Essa confederação de povoados escolheu como chefe um guerreiro conhecido como Ganga-Zumba, que morava em Macaco, a principal vila do refúgio. Não se sabe se “Ganga-Zumba” seria nome próprio ou um título dado ao líder. “A palavra ganga significava ‘poder’ ou ‘sacerdote’ em várias sociedades da África central”, diz o historiador Flávio Gomes, professor do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Para a maioria dos especialistas, foi nessa época de relativa calmaria que Zumbi teria crescido em Palmares. Um dos motivos para sustentar que o líder nasceu ali mesmo e não chegou depois, fugindo da escravidão, é o fato de que ele seria sobrinho de Ganga-Zumba. Mas o parentesco também não é garantido, já que a palavra “sobrinho” podia ter um sentido simbólico.
Não há relatos confiáveis sobre a juventude de Zumbi. É em um relatório do comando militar da capitania de Pernambuco, escrito por volta de 1670, que seu nome aparece citado pela primeira vez. Ele seria o homem de confiança do chefe Ganga-Zumba, uma espécie de general dos exércitos de Palmares. Outros documentos da mesma época destacam a capacidade militar de Zumbi. Um deles diz que, ao enfrentar uma expedição liderada por Manuel Lopes Galvão, Zumbi levou um tiro na perna que o teria deixado manco, mas ele continuou lutando mesmo assim.
Missões de ataque
Por volta de 1670, matar Ganga-Zumba e Zumbi virou questão de honra para o governo português. Mas, em 1678, a raiva já tinha passado um pouco. Cansado das derrotas seguidas, o governador-geral propôs um acordo de paz. Ganga-Zumba aceitou, e deixou Palmares com algumas centenas de seguidores. Ele morreu pouco tempo depois, e há quem diga que foi Zumbi que mandou envenená-lo por ter abandonado seu povo. O novo líder do quilombo não quis saber de trégua. Em 1690, o governo enviou o bandeirante Domingos Jorge Velho para atacar a região. Apanhou na primeira tentativa, mas voltou em 1692, com 9 mil homens e alguns canhões. Depois de semanas de luta, os bandeirantes invadiram a capital de Palmares. Zumbi fugiu. Ele só viveria mais um ano, até ser traído e morto por um companheiro, Antônio Soares. Os bandeirantes deram ao corpo de Zumbi o destino de várias outras pessoas que na época eram consideradas traidoras da pátria. Seus olhos foram arrancados, sua mão direita foi cortada e seu pênis foi decepado e enfiado em sua própria boca. Já a cabeça foi salgada e levada para Recife, onde apodreceu em praça pública.

A lenda do suicídio coletivo

Logo depois de se aproximar de Zumbi e cumprimentá-lo, o traidor Antônio Soares o matou com uma punhalada. É assim que os historiadores acreditam que o líder dos Palmares foi assassinado. Mas, antigamente, existia uma outra explicação, bem mais dramática. “Até o início dos anos 60, os historiadores diziam que Zumbi e seus seguidores tinham cometido suicídio ao se atirar dos penhascos da serra da Barriga”, diz o historiador Flávio Gomes. Não é verdade, mas essa lenda pode ter surgido por causa de uma das últimas batalhas da guerra de resistência. O bandeirante Jorge Velho construiu uma muralha de apoio, em diagonal, para levar seus canhões para perto do quilombo. A única forma de atacá-la era subir por um barranco. Alguns quilombolas tentaram usar essa estratégia para fazer um ataque-surpresa contra o bandeirante. Quem era baleado rolava pelo barranco, o que pode ter dado a falsa impressão de suicídio.


Saiba mais : Fonte

• A Hidra e os Pântanos, Flávio Gomes, Unesp, 2005. Compara os quilombos do Brasil com outros grupos de rebeldes em outros países do continente
• Palmares, Ontem e Hoje, Pedro Paulo Funari e Aline V. de Carvalho, Jorge Zahar, 2005. Ótima introdução à história do quilombo. O professor Funari trabalhou nas primeiras escavações feitas no local


A sina de Alfo
Alfo era um ratinho muito prestativo que trabalhava para o Rei Leão. Era alegre, brincalhão , amigo com o qual o rei podia contar vinte e quatro horas por dia.
       Mas com o passar do tempo, Alfo foi ficando  triste, pois vivia praticamente preso às suas obrigações de ajudante-de-ordens, conselheiro, ombudsman, mão direita, mensageiro,  e não tinha tempo para mais nada. Por causa de sua índole alegre e expansiva, o ratinho  gostava de viver livremente. Por isso, ultimamente, o seu emprego o desgostava muito; sentia-se escravo do dever.
      O ratinho Alfo tornava-se cada vez mais sério, mais taciturno; nem as mais engraçadas piadas do papagaio o faziam rir. Os bichos viviam fazendo-lhe graça para tentar descontraí-lo e sugeriam com preocupação:
      - Alfo, ria ! Rir faz bem !
      - Alfo, ria ! Você está envelhecendo .
      Mas quê ! Alfo foi ficando cada vez mais calado, até que um dia resolveu falar com o Rei.
      - Senhor , não agüento mais o peso das obrigações. Sou um ratinho sagitariano, quero viajar, ser livre e o excesso de dever está me matando. Nem rir mais eu rio ! Todos vivem me pedindo : - Alfo, ria ! Você está muito triste ! - porque percebem que estou ficando cada vez mais descontente !
      - E o que você sugere, meu fiel amigo ?
      - Que o senhor me libere de serví-lo . Continuarei sendo seu melhor amigo, se quiser, seu conselheiro, mas quero ser livre. Quero dormir de madrugada, acordar com o sol no meu focinho, quero visitar novas florestas , mas trabalhando assim como trabalho, não posso fazer nada disso !
      - É, meu caro ratinho, você tem razão.
      - Sabe, majestade, se eu continuar trabalhando tanto, sem ter tempo para mim , vou me tornar amargo . Por favor, liberte-me de minhas obrigações.
      -   Quem sou eu para ir contra a personalidade de alguém ? Prefiro-o como um amigo alegre a um fiel servidor triste. De hoje em diante, você está livre, Alfo.
      Alfo ria sem parar. Estava realmente feliz e poderia fazer tudo aquilo que quisesse.
      E foi a partir dessa história, a história do ratinho Alfo  que queria a libertação do pesado jugo do  trabalho, que nasceu a palavra alforria.”
 Autor desconhecido

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Gêneros Textuais

O relatório


A prática relacionada à busca pelo conhecimento deve ser uma constante em nosso cotidiano. Tal afirmativa parece tornar-se ainda mais verídica à medida que nos conscientizamos de que “o saber”, tomado em seu sentido amplo, é incomensurável e, sobretudo, imprescindível ao nosso crescimento, pessoal e profissionalmente falando.

Sempre que estabelecemos contato com um assunto que, até então, não nos é muito familiar, procuramos associá-lo, primeiramente, ao nosso conhecimento de mundo, ou seja, aquele conhecimento adquirido ao longo de nossa vivência.

De forma que, ao nos atermos à questão do título em pauta, desde já o contextualizamos à nossa “bagagem” cultural e, desta feita, reconhecemos que ele se encontra relacionado à ação de relatar acerca de um determinado procedimento, fatos circunstanciais, leituras realizadas, filmes assistidos, dentre outras instâncias.

Parece que se assim procedermos, tudo torna-se ainda mais claro e evidente, não é mesmo? Mas de modo específico, partiremos para conhecer um pouco mais sobre as características inerentes a essa modalidade textual.

O relatório compõe aquela que ora se denomina de Redação Técnica, que além de requisitar o emprego do padrão formal da linguagem, ainda se constitui de determinadas técnicas essenciais à sua produção. Assim como o requerimento, a declaração, o manifesto, a carta comercial, dentre tantos outros casos representativos.

O gênero em questão costuma se evidenciar tanto no universo escolar quanto no acadêmico. Sem contar que em meio ao ramo empresarial ele também se encontra inserido, dada a infinidade de situações de aplicabilidade.

Em virtude de pertencer ao âmbito linguístico escrito, compõe-se de algumas particularidades, é o que veremos adiante:

* Título – Esse costuma ser objetivo, claro e sintético;

* Remetente – Refere-se à autoria do documento;

* Destinatário – Refere-se à pessoa para a qual é destinado;

* Assunto – É o desenvolvimento em si do discurso proferido, contendo todas as informações relevantes ao que ora se pretende relatar;

* Conclusão – Trata-se do fechamento das ideias apresentadas, ou seja, o que pôde ser obtido com o procedimento realizado como um todo.



A Carta Argumentativa

Situando-nos diante do contexto que hoje rege de modo contundente as relações sociais, determinados meios de comunicação parecem não se adequar mais aos ditames vigentes.

Mediante tal afirmativa, remetemo-nos ao assunto ora em discussão, ou seja, a carta. Durante muito tempo esse instrumento vigorou como sendo a principal, senão a única, alternativa da qual as pessoas dispunham para manterem contato entre si.

Mas como sabemos, a evolução é algo essencial à nossa vivência e, como tal, ela se faz presente a cada dia que passa, permeando os mais diversos setores da esfera social. E para sermos um tanto quanto precisos, ressaltamos o caso dos recursos tecnológicos. Estes, por excelência, estão gradativamente se entremeando no cotidiano das pessoas e, de certa forma, influenciando-as no que diz respeito ao comportamento adotado.

Diante disso, retomamos sobre a recorrência da carta, pois torna-se notório que a mesma cedeu lugar às inúmeras formas de comunicação que atualmente norteiam a convivência humana, como é o caso do E-Mail, Orkut, MSN, entre tantos outros. Tamanha diversidade surgiu no intuito de dinamizar e ampliar o contato entre os seres e seus semelhantes.

Mediante essa ocorrência, será que devemos abolir a existência e, sobretudo, a utilidade inerente à carta? De forma alguma, mesmo em meio a tanta tecnologia, tal recurso comunicativo ainda prevalece, até porque nem todas as pessoas tiveram a oportunidade de compartilhar deste crescente desenvolvimento. Não somente por este motivo, mas também em virtude de a carta, na qualidade de gênero textual, compor um dos conteúdos requisitados pela maioria dos concursos públicos e vestibulares.

Em decorrência disso, e principalmente por nos referirmos sobre algo pertencente à linguagem escrita – uma vez que esta constitui-se de elementos específicos, é que devemos nos conscientizar da importância de estarmos aptos a compô-la de maneira correta.

A carta argumentativa é um texto que, como a própria nomenclatura revela, pauta-se por persuadir o interlocutor por meio dos argumentos por ela atribuídos. A intencionalidade discursiva é retratada por uma reclamação e/ou solicitação por parte do emissor no sentido de convencer o destinatário de forma específica (geralmente na pessoa de uma autoridade ou alguém com poder de decisão) a fim de que o mesmo possa atender à solicitação ora realizada.

No que se refere à linguagem, esta poderá ou não ser totalmente objetiva, mas certamente deverá ser clara e coesa.

Quanto à estrutura, ela compõe-se dos seguintes elementos:

# Local e data;

# Identificação do destinatário;

# Vocativo – o nome da pessoa para a qual a carta é endereçada. Neste caso, o pronome de tratamento ocupa lugar de destaque, dependendo do grau de ocupação/função desempenhada.

# Corpo do texto – É a exposição do assunto em si, de forma a abordar todos os aspectos pertinentes de maneira clara, sucinta e precisa.

# Expressão de despedida – Tal procedimento pode variar em se tratado do grau de intimidade entre os interlocutores, podendo ser mais formal ou denotando certa informalidade.

# Assinatura do remetente. 




A notícia - Um gênero textual de cunho jornalístico


                                                       
Antes de adentrarmos de forma minuciosa no que se refere às características que norteiam o gênero em evidência, ora constituído pela notícia, torna-se de fundamental importância compreendermos o sentido retratado pelo termo – gênero textual.

Ao nos referirmos a este, devemos associá-lo às inúmeras situações sociocomunicativas que circundam pelo nosso cotidiano. Todas possuem uma finalidade em comum, ou seja, uma intencionalidade pretendida pelo discurso que as compõe. Tais finalidades se divergem, dependendo do objetivo proposto pelo emissor mediante o ato comunicativo.

Em se tratando da notícia, qual seria a intenção por ela pretendida? Certamente, a de nos informar sobre uma determinada ocorrência. Trata-se de um texto bastante recorrente nos meios de comunicação de uma forma geral, seja impressa em jornais ou revistas, divulgada pela Internet ou retratada pela televisão.

Em virtude de a notícia compor a categoria preconizada pelo ambiente jornalístico, caracteriza-se como uma narrativa técnica. Tal atribuição está condicionada principalmente à natureza linguística, pois diferente da linguagem literária, que, via de regra, revela traços de intensa subjetividade, a imparcialidade neste âmbito é a palavra de ordem.

Assim sendo, como a notícia pauta-se por relatar fatos condicionados ao interesse do público em geral, a linguagem necessariamente deverá ser clara, objetiva e precisa, isentando-se de quaisquer possibilidades que porventura tenderem a ocasionar múltiplas interpretações por parte do receptor.

De modo a aprimorar ainda mais os nossos conhecimentos quanto aos aspectos inerentes ao gênero em foco, enfatizaremos sobre seus elementos constituintes:

Manchete ou título principal – Geralmente apresenta-se grafado de forma bem evidente, com vistas a despertar a atenção do leitor.

Título auxiliar – Funciona como um complemento do principal, acrescentando-lhe algumas informações, de modo a torná-lo ainda mais atrativo.

Lide (do inglês lead) - Corresponde ao primeiro parágrafo, e normalmente sintetiza os traços peculiares condizentes ao fato, procurando se ater aos traços básicos relacionados às seguintes indagações: Quem? Onde? O que? Como? Quando? Por quê?

Corpo da notícia –
Relaciona-se à informação propriamente dita, procedendo à exposição de uma forma mais detalhada no que se refere aos acontecimentos mencionados.

Diante do que foi exposto, uma característica pertinente à linguagem jornalística é exatamente a veracidade em relação aos fatos divulgados, predominando o caráter objetivo preconizado pelo discurso.
 A Reportagem

O cotidiano jornalístico dispõe de vários gêneros, dos quais tomamos conhecimento diariamente, ora retratados oralmente, ora impressos, ou até mesmo veiculados pelo meio eletrônico. A reportagem, assim como a notícia, representa tal modalidade, cujo objetivo é proporcionar ao público leitor/expectador a interação com os fatos decorrentes da sociedade.

A notícia e a reportagem apresentam aspectos convergentes e divergentes ao mesmo tempo. Em virtude de tal semelhança, daremos ênfase não somente às características inerentes à reportagem, mas também à notícia, no intuito de compreendermos efetivamente sobre suas peculiaridades.

Os pontos em que se convergem estão relacionados aos aspectos estruturais, ou seja, é comum identificarmos na reportagem os mesmos elementos constituintes da notícia:

Título ou manchete – Geralmente escrito em letras garrafais (maiúsculas), tem por objetivo atrair a atenção do público-alvo para o que se deseja comunicar. Daí o perfil atrativo, composto por frases concisas, embora bastante objetivas.

Título auxiliar – Como bem retrata a própria nomenclatura, trata-se de um complemento do título principal, proporcionando um maior interesse por parte do interlocutor.

Lide – Refere-se ao primeiro parágrafo e, de forma sucinta, apresenta todos os aspectos relevantes da comunicação em pauta, respondendo aos seguintes elementos constitutivos: Como? Onde? Quando? Por quê? Quem? .

Corpo da reportagem – Caracteriza-se pelo desenvolvimento em si, apontando todos os pontos relevantes ao assunto abordado.

O aspecto divergente é em relação à forma como se apresenta. A reportagem precisa ir além de uma simples notificação, fato representado pela notícia. Ela é resultante de inúmeras relações de causa e efeito, questionamentos, comparações entre pontos de vista diferentes, dados estatísticos, dentre outros pressupostos.

Partindo-se de tais premissas é importante ressaltarmos também sobre como se materializa o tema proferido pela reportagem, podendo este ser narrado de forma expositiva – na qual o repórter se atém à apresentação simples e objetiva dos fatos; interpretativa – modalidade em que se estabelece conexão com acontecimentos já decorridos; e a opinativa – em que há um propósito de convencer o interlocutor acerca de uma determinada opinião.


 Artigo de Opinião


Posicionar-se acerca de um determinado tema – Principal característica do gênero


Em meio à nossa vivência do dia a dia, estamos a todo instante nos posicionando a respeito de um determinado assunto. Essa liberdade que nos é concedida faz com que nos tornemos seres ímpares, dotados de pensamentos e opiniões acerca da realidade circundante, por vezes absurda e cruel.

Tal particularidade, relacionada a este perfil singular, desencadeia uma série de posicionamentos divergentes, os quais são debatidos e confrontados por meio de uma interação social – fato que confere uma característica dinâmica à sociedade, visto que, caso contrário, as relações humanas se tornariam frustrantes e monopolizadas.

De forma específica, atenhamo-nos ao título em questão quando o mesmo perfaz-se de dois termos básicos: Artigo e opinião. Procurando compreendê-los de acordo com seu sentido semântico, surge-nos numa primeira instância, a ideia de algo relacionado à escrita.

Munidos de tal percepção, sabemos que a mesma constitui-se de certas particularidades específicas, e mais! Trata-se de um gênero textual comumente requisitado em exames de vestibulares e concursos públicos de uma forma geral.
Sendo assim, torna-se imprescindível incorporá-lo aos nossos conhecimentos e, sempre que necessário, colocá-lo em prática. Enfatizaremos então sobre alguns pontos pertinentes à modalidade em referência.

O artigo de opinião é um gênero textual pertencente ao âmbito jornalístico e tem por finalidade a exposição do ponto de vista acerca de um determinado assunto. Tal qual a dissertação, ele também se compõe de um título, um parágrafo introdutório o qual se caracteriza como sendo a introdução, ao explanar de forma geral sobre o assunto do qual discutirá.

Posteriormente, segue o desenvolvimento arraigado na desenvoltura dos argumentos apresentados, sempre tendo em mente que esses deverão ser pautados em bases sólidas, com vistas a conferir maior credibilidade por parte do leitor. E por fim, segue a conclusão do artigo, na qual ocorrerá o fechamento das ideias anteriormente discutidas.


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Basta sairmos pelas ruas que tão logo nos deparamos com uma infinidade de faixas, cartazes, anúncios, outdoors... Todos envoltos por um único objetivo: o de atrair a atenção do leitor mediante o ato comunicativo. O discurso apresenta-se de forma variada – divulgando um determinado evento, como por exemplo, um show, uma feira cultural, de moda, anunciando uma promoção referente ao comércio lojístico, anunciando um produto que acabara de ser lançado no mercado. Enfim, vários são os objetivos traçados por parte do emissor, tentando persuadi-lo de alguma forma. 


Diante de tal finalidade discursiva, a linguagem, necessariamente, precisa não somente ser clara e objetiva, mas também, bastante atrativa. Para tanto, torna-se indispensável o predomínio de uma linguagem não verbal, uma vez que imagens tendem a ser mais chamativas e, consequentemente, contribuem para a concretização dos objetivos propostos. E, falando sobre linguagem, é essencial que saibamos sobre um aspecto bastante peculiar – a presença de alguns recursos estilísticos voltados para a conotação, ou seja, passíveis de múltiplas interpretações. Assim, metáforas, comparações, hipérboles, dentre outras, são indispensáveis. Analisemos, pois, um caso representativo:



 
Defrontamo-nos com uma linguagem ambígua – o fato de o sorriso ser amarelo em seu sentido literal, como também representar aquele sorriso sem entusiasmo, enfadonho, abnegado de qualquer traço atrativo. Percebemos que o próprio produto (marca) intertextualiza um procedimento inerente às atitudes humanas – o sorriso.

Quanto aos elementos que constituem o gênero em pauta, destacamos:

Título – Compõe-se de frases concisas, porém atrativas.

Imagem – Representa um elemento de fundamental importância para o discurso, dado o seu caráter persuasivo.

Corpo do texto – Trata-se do desenvolvimento da ideia em si, proporcionando uma interação entre os interlocutores por meio de um vocabulário sugestivo e adequado ao público-alvo.

Identificação do produto ou marca – Constitui-se de uma assinatura do próprio anunciante, podendo também haver um slogan – uma frase curta que defina o produto anunciado. No exemplo acima podemos perfeitamente constatar este fato.



              Seminário      

O seminário representa um gênero oral que requer posicionamentos definidos por parte dos apresentadores
O seminário representa um gênero oral que requer posicionamentos definidos por parte dos apresentadores
São muitas as circunstâncias em que você tem de expor seus argumentos, revelar suas ideias, opiniões, enfim, posicionar-se acerca de um determinado assunto. Contudo, não estamos falando da escrita, mas sim de um procedimento essencialmente realizado por meio da oralidade. Dentre as várias circunstâncias comunicativas com as quais temos contato diariamente, surge mais um gênero textual: o seminário.     

Amplamente difundido no meio escolar, acadêmico, científico e técnico, o seminário confere às pessoas que dele participa a oportunidade de apresentar os conhecimentos adquiridos mediante o estudo de um determinado tema. Nesse sentido, torna-se essencial que os apresentadores adotem posturas condizentes com o contexto no qual se encontram inseridos, levando em conta todos os aspectos requeridos pela situação comunicativa em questão. Dessa forma, o objetivo a que se presta o artigo em pauta é exatamente fazer algumas abordagens acerca desse fato, no sentido de fazer com que você, caro (a) usuário (a), mantenha-se a par de todos esses pressupostos.  

A palavra de ordem, num primeiro momento, é “planejamento”. Assim, todo apresentador deve se conscientizar de que o público-alvo espera, “no mínimo”, domínio do conteúdo abordado. Para tanto, cercar-se de todas as informações é imprescindível, sendo essas obtidas por meio de uma pesquisa muito bem preparada, através de livros, meio eletrônico, jornais, revistas, vídeos, etc.

Uma vez elencadas, torna-se necessário elaborar um esquema, no sentido de pontuar aquelas informações importantes, essenciais. O esquema funciona como uma espécie de roteiro que guiará o apresentador. Assim, trabalhando a hipótese de que algumas das principais ideias podem ser esquecidas, entra em ação o roteiro previamente elaborado. Mas isso não dá ao apresentador o direito de “ler” aquilo que anotou, salvo em se tratando de uma citação, proferida por outrem, haja vista que aí não há como proceder de forma diferente.
Outro aspecto reside no fato de que os demais participantes precisam estar em sintonia com tudo aquilo que está sendo apresentado. Principalmente no ambiente escolar, o que mais se constata é a “distribuição de partes”, isto é, cada um fica com uma fala determinada – fato que corrobora tão somente para que o discurso se manifeste como truncado, denotando não haver nenhum entrosamento entre o grupo. Nesse sentido, é essencial que todos estejam bem preparados e dispostos a responder aos questionamentos da plateia. Mas e em relação à postura, como essa deve ser concebida? 

Saiba que se trata de algo notadamente importante, pois a imagem que devemos passar às pessoas que nos assistem tem de ser positiva, a começar pelas vestimentas, gestos, entonações, expressões faciais.  Nesse sentido, antes de tudo, você deve passar uma ideia de respeito para com o público, utilizando-se de um tom de voz que consiga atingir a todos, ou seja, nem estridente ao extremo, nem monótono demais. Posicionar-se de frente é também sinal de postura firme. Mesmo quando há a necessidade de escrever no quadro-negro ou realizar algum procedimento nos recursos audiovisuais, é sempre bom ficar de lado para a plateia, nunca de costas. O uso da linguagem, não menos importante, deve estar de acordo com a situação, sendo essa materializada por uma linguagem formal, totalmente isenta de chavões, gírias, cacoetes ou quaisquer sinais que porventura possam contradizer o “protocolo”.   

Cabe ressaltar, ainda, que a apresentação deve seguir alguns critérios básicos, tais como a abertura, que normalmente fica a cargo do professor ou de uma pessoa designada a tal. Feito isso, é chegado o momento de passar a palavra ao apresentador (a), que explanará acerca do que será abordado durante a apresentação. Na sequência, dá-se início ao desenvolvimento do assunto em pauta e, ao final, faz-se uma retomada daquilo que foi falado, bem como se apresentam as conclusões a que o grupo chegou mediante o trabalho realizado.
 Postas em prática tais ações, a conquista de bons resultados é fato certeiro, sempre lembrando que o fator “tempo” também impera nessas questões, principalmente quando outros grupos também deverão realizar um seminário. Respeito e cordialidade nunca são demais!


domingo, 11 de novembro de 2012

Conotação e denotação linguística






Observe:
 
OLHO DE GATO                                                                            OLHO DE GATO    
  •  No primeiro exemplo, as palavras olho e gato estão empregadas em seu sentido próprio, original, denotativo. Usa uma linguagem científica, objetiva.

DENOTAÇÃO = EMPREGO DAS PALAVRAS NO SEU SENTIDO PRÓPRIO.
  • Na expressão “olho de gato”, as palavras olho e gato perderam seu sentido original para assumir um novo significado, o sentido conotativo. Usa uma linguagem literária, subjetiva.   
CONOTAÇÃO = EMPREGO DAS PALAVRAS NO SEU SENTIDO FIGURADO.



Identifique se a linguagem empregada é denotativa ou conotativa.
 



Fonte


EXEMPLOS:





       Estes dois conceitos são muito fáceis de entender se lembrarmos que duas partes distintas, mas interdependentes, constituem o signo lingüístico: o significante ou plano da expressão - uma parte perceptível, constituída de sons - e o significado ou plano do conteúdo - a parte inteligível, o conceito. Por isto, numa palavra que ouvimos, percebemos um conjunto de sons ( o significante), que nos faz lembrar de um conceito (o significado).
A denotação é justamente o resultado da união existente entre o significante e o significado, ou entre o plano da expressão e o plano do conteúdo. A conotação resulta do acréscimo de outros significados paralelos ao significado de base da palavra, isto é, um outro plano de conteúdo pode ser combinado ao plano da expressão. Este outro plano de conteúdo reveste-se de impressões, valores afetivos e sociais, negativos ou positivos, reações psíquicas que um signo evoca.
      Portanto, o sentido conotativo difere de uma cultura para outra, de uma classe social para outra, de uma época a outra. Por exemplo, as palavras senhora, esposa, mulher denotam praticamente a mesma coisa, mas têm conteúdos conotativos diversos, principalmente se pensarmos no prestígio que cada uma delas evoca.
Desta maneira, podemos dizer que os sentidos das palavras compreendem duas ordens: referencial ou denotativa e afetiva ou conotativa.
A palavra tem valor referencial ou denotativo quando é tomada no seu sentido usual ou literal, isto é, naquele que lhe atribuem os dicionários; seu sentido é objetivo, explícito, constante. Ela designa ou denota determinado objeto, referindo-se à realidade palpável.
Denotação é a significação objetiva da palavra; é a palavra em "estado de dicionário"
Além do sentido referencial, literal, cada palavra remete a inúmeros outros sentidos, virtuais, conotativos, que são apenas sugeridos, evocando outras idéias associadas, de ordem abstrata, subjetiva.
Conotação é a significação subjetiva da palavra; ocorre quando a palavra evoca outras realidades por associações que ela provoca
O quadro abaixo sintetiza as diferenças fundamentais entre denotação e conotação:
DENOTAÇÃO CONOTAÇÃO
palavra com significação restrita palavra com significação ampla
palavra com sentido comum do dicionário palavra cujos sentidos extrapolam o sentido comum
palavra usada de modo automatizado palavra usada de modo criativo
linguagem comum linguagem rica e expressiva
a) Exemplos de conotação e denotação (textos 1 e 2)
Para exemplificar, de maneira simples e clara, estes dois conceitos, vamos tomar a palavra cão: terá um sentido denotativo quando designar o animal mamífero quadrúpede canino; terá um sentido conotativo quando expressar o desprezo que desperta em nós uma pessoa sem caráter ou extremamente servil. (Otto M.Garcia, 1973)
Nas receitas abaixo, as palavras têm, na primeira, um sentido objetivo, explícito, constante; foram usadas denotativamente. Na segunda, apresentam múltiplos sentidos, foram usadas conotativamente. Observa-se que os verbos que ocorrem tanto em uma quanto em outra - dissolver, cortar, juntar, servir, retirar, reservar - são aqueles que costumam ocorrer nas receitas; entretanto, o que faz a diferença são as palavras com as quais os verbos combinam, combinações esperadas no texto 1, combinações inusitadas no texto 2.
TEXTO I
Bolo de arroz
3 xícaras de arroz
1 colher (sopa) de manteiga
1 gema
1 frango
1 cebola picada
1colher (sopa) de molho inglês
1colher (sopa) de farinha de trigo
1 xícara de creme de leite salsa picadinha
Prepare o arroz branco, bem solto.
Ao mesmo tempo, faça o frango ao molho, bem temperado e saboroso.
Quando pronto, retire os pedaços, desosse e desfie. Reserve.
Quando o arroz estiver pronto, junte a gema, a manteiga, coloque numa forma de buraco e leve ao forno.
No caldo que sobrou do frango, junte a cebola, o molho inglês, a farinha de trigo e leve ao fogo para engrossar.
Retire do fogo e junte o creme de leite.
Vire o arroz, já assado, num prato.
Coloque o frango no meio e despeje por cima o molho.
Sirva quente.
(Terezinha Terra)
TEXTO II
Receita
Ingredientes
2 conflitos de gerações
4 esperanças perdidas
3 litros de sangue fervido
5 sonhos eróticos
2 canções dos beatles
Modo de preparar
Dissolva os sonhos eróticos
nos dois litros de sangue fervido
e deixe gelar seu coração.
Leve a mistura ao fogo,
adicionando dois conflitos
de gerações às esperanças perdidas.
Corte tudo em pedacinhos
e repita com as canções dos
beatles o mesmo processo usado
com os sonhos eróticos, mas desta
vez deixe ferver um pouco mais e
mexa até dissolver.
Parte do sangue pode ser
substituído por suco de
groselha, mas os resultados
não serão os mesmos.
Sirva o poema simples
ou com ilusões.
(Nicolas Behr)
b) Exemplo de texto denotativo (texto 3)
Os textos informativos (científicos e jornalísticos), por serem, em geral, objetivos, prendem-se ao sentido denotativo das palavras. Vejamos o texto abaixo, em que a linguagem está estruturada em expressões comuns, com um sentido único.
Texto 3 - texto técnico-científico
Canibalismo entre insetos
Seres que nascem na cabeça de outros e que consomem progressivamente o corpo destes até aniquilá-los, ao atingir o estágio adulto. ... Esse é um enredo que mais parece de ficção científica. No entanto, acontece desde a pré-história, tendo como protagonistas as vespas de certas espécies e as paquinhas, e é um exemplo da curiosa relação dos ‘inimigos naturais’, aproveitada pelo homem no controle biológico de pragas, para substituir com muitas vantagens os inseticidas químicos.
(Revista Ciência Hoje, nº 104, outubro de 1994, Rio, SBPC)

c) Exemplo de texto conotativo (texto 4)
Além dos poetas, os humoristas e os publicitários fazem um amplo uso das palavras no seu sentido conotativo, o que contribui para que os anúncios despertem a atenção dos prováveis consumidores e para que o dito humorístico atinja o seu objetivo de fazer rir, às vezes até com uma certa dose de ironia.
Por exemplo, na propaganda de um ‘shopping’, foi usada a seguinte frase:
Texto 4 - propaganda
O Rio Design Center acaba de ganhar um novo piso.
Marmoleum
o piso natural
(Revista Veja Rio, maio/junho,96)
O anúncio tem aí um duplo sentido, pois transmite duas informações:
  1. o Rio Design Center ganhou uma nova loja - PAVIMENTO SUPERIOR -onde estão à venda pisos especiais;
  2. nesta loja é possível encontrar o material para piso, importado da Holanda, que se chama Marmoleum.
Na frase que fecha o anúncio, desfaz-se a ambigüidade: "Venha até a (ao invés de o) Pavimento Superior e confira esta e outras novidades de revestimentos para pisos". Mas a frase de abertura faz pensar em outros sentidos: o centro comercial ganhou um novo andar, um novo pavimento, ou ganhou um revestimento novo em todo o seu piso, em todo o seu chão.
d) Exemplo de conotação
Os provérbios ou ditos populares são também um outro exemplo de exploração da linguagem no seu uso conotativo. Assim, "Quem está na chuva é para se molhar" equivale a "/Quando alguém opta por uma determinada experiência, deve assumir todas as regras e conseqüências decorrentes dessa experiência". Do mesmo modo, "Casa de ferreiro, espeto de pau" significa O que a pessoa faz fora de casa, para os outros, não faz em casa, para si mesma Fonte
Denotação-Conotação